Cyberbullying – um inimigo sem face

A agressão e o anonimato juntos num novo mundo

Os computadores, a Internet, os jogos virtuais, os telemóveis, as mensagens instantâneas e as redes sociais virtuais são lugar-comum dos jovens de hoje. Sem estes, qualquer jovem do mundo ocidental se sente “desamparado”, chegando mesmo a sentir-se desenquadrado e inseguro, senão for “cliente” habitual destas tecnologias.

 

Hoje em dia o acesso à comunicação móvel aumenta a capacidade de sermos ouvidos e ouvir, de expressar sentimentos, de pedir ajuda, de obter informação e também de sermos por esta via insultados, agredidos, chantageados, coagidos e ameaçados. Uma nova via para uma atitude antiga… Se juntarmos a esta atitude antiga de agredir a “vantagem” de a efectuar anonimamente, abrimos um novo mundo à agressão e ao bullying: o cyberbullying.

 

Cyberbullying, ebullying, bullying electrónico, cyber-violência, cyber assédio, assédio electrónico, etc. são as designações encontradas para o mesmo tipo de agressão. Mundialmente em verdadeira expansão, este tipo ou forma de bullying só granjeou atenção por parte dos investigadores e autoridades, quando, mais uma vez, existiram suicídios de jovens /crianças, relacionados com agressões através da internet.

 

Bullying versus Cyberbullying

 

Existem factores distintos entre o cyberbullying e o bullying que podem fazer uma grande diferença nas consequências psicológicas e sociais sobre os actores.

 

Quem é o inimigo?

 

Enquanto no bullying se tem conhecimento de quem é a vítima e o agressor, no cyberbullying o agressor pode ser qualquer um ao nosso redor. Pode ser um indivíduo que se encontra perto ou longe da vítima, como alguém que podemos conhecer ou não. O factor de desconhecimento de quem é o agressor, amplia exponencialmente a pressão psicológica e o medo.

 

Limites espaciais

 

O bullying é perpetrado num espaço real e físico, o cyberbullying não tem delimitação espacial. O cyberbullying “acompanha” a vítima. Esta só consegue ver-se livre da agressão, isolando-se tanto da comunidade como das tecnologias. A não existência de um “porto seguro”, é mais um motivo de stresse para a vítima, esta tem a sensação de estar constantemente a ser observada e controlada pelo agressor.

 

Características dos agressores

 

No bullying o agressor é considerado um indivíduo com boa capacidade física, fisicamente e emocionalmente agressivo, com uma má relação com a escola. No cyberbullying, não existe nenhuma referência à capacidade física, dado que esta não é necessária para agressão psicológica. Os cyberbullies são normalmente bons alunos e com uma boa relação com a escola. Os agressores no cyberbullying podem ser simultaneamente vítimas.

 

O medo de punição da vítima

 

Uma das medidas que os pais das vítimas do cyberbullying tendem a adoptar, assim que são confrontados com os “perigos” que o seu educando está a ser alvo, é o retirar a este o acesso aos veículos da agressão. Esta atitude castiga ainda mais a vitima, fazendo com que se arrependa de ter contado a situação. É castigado duplamente. A vítima no bullying convencional é protegida, afastando-se do agressor.

 

Os observadores ou testemunhas

 

No cyberbullying, o observador pode escolher entre ser ou não participante. É muita das vezes também um bully, dependendo da plataforma na qual a acção decorre, pode intervir se for num “chat”, pode reencaminhar o e-mail difamatório ampliando a quantidade de observadores, em suma, o observador inicial pode transformar-se num agressor de segunda linha, ampliando ou perpetuando o ataque inicial, podendo ser visto numa óptica de “Quem cala, consente”.

Comentários