As diferentes fases da vida da família

Ao longo da vida as famílias atravessam uma série de estágios previstos, separados por transições previsíveis (e por vezes também imprevisíveis…). Cada estágio será marcado por alguma mudança em algum membro da família (nascimento, morte, saída de casa etc) e costuma ter impacto em todo o sistema familiar.

A mudança faz parte do nosso natural desenvolvimento e crescimento na vida, trazendo com ela perdas do que passa a ficar no passado e ganhos do que virá para o futuro. Gerir e viver cada uma destas fases e mudanças pode ser um desafio, que certamente valerá a pena.

Podemos considerar a existência de seis grandes estágios do ciclo de vida familiar mais comummente presente na nossa sociedade (Wright & Leahey, 2002),(apesar de nem todos os indíviduos terem que obrigatoriamente passar por eles, quer seja por impossibilidade ou opção própria):

    1. Adultos jovens
    2. O casal
    3. Família com filhos pequenos
    4. Família com filhos adolescentes
    5. Ninho vazio
    6. Família no estágio tardio da vida
1. Adultos jovens

A fase do jovem adulto é um marco, que requer que ele se separe da família de origem sem romper relações ou fugir reativamente para um refúgio emocional substituto. Quanto mais satisfatoriamente se puderem diferenciar emocionalmente da família de origem, melhores serão as possibilidades de enfrentar os ciclos de vida na nova família. Este é o momento em que poderão escolher emocionalmente o que levarão da família de origem, o que deixarão para trás e o que irão construir sozinhos.

2. O casal

Neste momento é importante que sejam definidas fronteiras para proteger o casal ajudando-os a estabelecer novos padrões de comunicação entre eles e com as próprias famílias de origem. A união do casal é uma aliança de valores, valores cultivados pela família de ambos os membros do casal, nem sempre conscientes, nem sempre ditos, nem sempre reconhecidos. Aos valores somam-se as expectativas, e cada um inicia a relação com um conjunto de expectativas em relação ao outro e à relação conjugal, que podem ser necessárias expressar para conciliar.

3. Família com filhos pequenos

É neste estágio que os jovens adultos assumirão o compromisso de ser pai ou mãe. Quando estes mesmos adultos não conseguem sair do papel de filhos, problemas podem surgir, entre o casal, em assumir responsabilidades; recusa/incapacidade de se comportarem como pais - na medida em que não conseguem exercer autoridade e colocar limites, ou ainda, não desenvolveram a capacidade de permitir que seus filhos se expressem adequadamente.

Nesta fase, acrescem ainda as discussões centralizadas na disposição e partilha das responsabilidades, cuidados com a criança, a divisão das tarefas domésticas etc. Esta é o momento do ciclo de vida familiar que possui o índice mais elevado de divórcio.

4. Família com filhos adolescentes

Tanto os papéis dos pais como dos filhos sofrem mudanças essenciais nesta fase. As famílias neste momento necessitam estabelecer fronteiras qualitativamente diferentes das famílias com filhos mais jovens. Neste estágio a forma de imposição de autoridade torna-se distinta, pois os adolescentes trazem para dentro da família novos valores e começam a estabelecer os seus próprios relacionamentos, tornando-se importante ajustes especiais entre pais, filhos e avós, para permitir e estimular estes novos relacionamentos. Na vida conjugal pode estar a chegar o momento da famosa"crise da meia idade", de um ou de ambos os cônjuges e questões existenciais emergem com bastante força: satisfações e insatisfações pessoais, profissionais e conjugais, dificultando a disponibilidade para lidar com os filhos e com a própria relação.

5. Ninho vazio

É um momento de grande desafio, quando os filhos saiem de casa e o casal retorna a ter que se focar nele prórprio e já não tanto na paternidade/maternidade. Por outro lado, nesta fase os pais podem assistir ao nascimento uma nova geração e podem tornar-se avós, iniciando o desempenhar de um novo papel nas suas vidas. Simultaneamente, os seus próprios pais estão a envelhecer e, muitas vezes, ficam dependentes, trazendo consideráveis responsabilidades, quer a nível ascendente como descendente. Este momento dependerá muito da fluidez e flexibilidade que a família tem vindo a desenvolver nos estágios anteriores: para alguns, será um momento de expansão para a exploração de novos papéis, autonomia, e até libertação, para outros poderá ser vivido como algo devastador, acompanhado por um sentimento de vazio, depressão e desintegração.

6. Família no estágio tardio da vida

Nesta fase, o indivíduo depara-se normalmente com a reforma, com um maior vazio profissional e acima de tudo existencial, podendo trazer uma tensão especial a uma união que até então foi considerada equilibrada em distintas esferas.

Neste estágio as perdas são previsíveis, porém a perda de um cônjuge é um dos ajustamentos mais dolorosos, tornando-se mais difícil reorganizar toda uma vida sozinho. Contudo, esta é uma fase que pode ser amparada pelas gerações mais novas, que poderão contruibuir para a qualidade de vida deste estágio tardio.

Crises imprevisíveis

Para além das transições previsíveis apresentadas, o ciclo da vida está minado de momentos imprevisíveis que podem afectar profundamente a vida familiar, e para as quais dificilmente nos preparamos, como por exemplo: o divórcio, doença e morte de entes queridos, mudança de domicílio, desemprego, incapacidades físicas e psicológicas, mudanças de hábito e estilo de vida…

Cada fase e mudança, previsível ou não, implica o luto da anterior, aceitação e foco no presente momento a momento, acreditando que o futuro será diferente e que o diferente poderá ser melhor ainda!

Em que fase do ciclo de vida se encontra?

Vanessa Damásio

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Conjugal e Familiar

Psinove – Inovamos a Psicologia

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