A dança dos rankings

Tendo decidido não escrever sobre os rankings mudei de ideias depois de ler o  texto de opinião do Secretário de Estado de Educação João Costa “ O que os rankings não dizem” e da reportagem do Público sobre a Escola de Porto de Mós.
créditos: Pixabay

O primeiro apresenta algumas das dimensões do trabalho nas escolas que vale a pena conhecer mas que ficam fora do alcance dos rankings. Daí que se perceba muito bem quando é dito que vale mais um 15 de um aluno respeitador e solidário do que um 17 de um aluno que não considera os outros.

Vem muito a propósito a reportagem sobre a Escola de Porto de Mós. Em primeiro lugar PARABÉNS à escola, aos professores, aos alunos, aos pais, não só pelos resultados mas sobretudo pelo modo como lá chegaram, tão bem enunciado por dirigentes, professores, alunos, pais. Por isso mesmo o que nos interessa é o que faz a diferença, o que faz  com que todos possam dar o melhor de si.

 1- Serem adeptos das novas tecnologias

 E ainda bem. Dizem-nos ser uma realidade o projecto-piloto da disciplina de Programação no primeiro ciclo em todas as turmas, não numa nem em duas como tantas vezes acontece, mas em todas, acreditando que é um valor, e sendo-o, escolhem a igualdade de oportunidades. Faz a diferença.

Em tempos próprios ensinam os alunos a utilizar as tecnologias como deve ser para que sirvam para  a aprendizagem. Há alunos sem conta no nosso sistema de ensino que chegam ao fim do 9º ano sem saber fazer uma pesquisa . Faz a diferença. Utilizam  sumários eletrónicos nas diferentes disciplinas para que pais e alunos os possam consultar facilmente a qualquer momento. Faz a diferença.

Para além do jogo e das redes sociais, aprende-se desde cedo que neste mundo globalizado a tecnologia é aliada da aprendizagem. No campo ou na cidade, ficar de fora do mundo tecnológico é ser excluído.

  

2 – Trabalho contínuo, foco, diversidade de estratégias

A palavra exigência é referida por todos, ainda que também seja dito que  se alia à estabilidade do corpo docente  para conseguir fazer um trabalho contínuo.  Faz a diferença. Com quem? Com os alunos e com os pais, muito presentes. Talvez convenha saber que a escolaridade do­s pais anda em média pelos sete anos, mas que a escola, referindo-os, reconhece-os como importantes para chegar aos resultados. Faz a diferença.­

É dito que se focam nos exames, e os alunos também dizem que os testes ao longo do ano seguem o formato dos exames; que  há uma grande exigência mas acompanhada de proximidade  e disponibilidade da parte dos professores ; que lhes é dado o que precisam e o que procuram. Jogo limpo. Faz a diferença.

A existência não de uma mas de diversas modalidades de apoio/oficinas aos alunos desde o 5º ano “para ajudar a compreender a matéria”, assim como atividades de enriquecimento diversas estão implícitas nas palavras do diretor “Não temos as coisas à porta, mas deslocamo-nos para proporcionar aos alunos oportunidades e compensar a distância a que estamos dos grandes centros”. Uma das alunas ouvidas ainda acrescenta  “Em Português sempre que damos uma obra vamos ver uma peça de teatro e isso ajuda a compreender”. Faz a diferença.

3 – Confiança na escola, nos professores, nas famílias

Os depoimentos expressos na reportagem revelam confiança da parte de todos os que intervêm, os que dirigem, os que ensinam e os que aprendem. Os alunos confiam na escola, a escola confia nos alunos e nos pais. Faz a diferença.

Mas revelam mais. Revelam confiança no trabalho que tem sido feito por todos ao longo dos anos. Faz a diferença. “Há muitos anos que trabalhamos para este sucesso, o resultado peca por atrasado”.

Boa celebração!

Maria de Lurdes Monteiro

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