Uma família sem fronteiras

O Diário da Pikitim transformou-se num ponto de partilha de experiências de viagem, e com algumas dicas sobre como viajar com crianças.

Luísa Pinto sempre disse que queria ser jornalista, e nunca foi para poder estar atrás dos microfones ou das câmaras de televisão. Queria ser correspondente de guerra, porque era assim que imaginava que poderia viajar para outros países e contar histórias de pessoas reais. Seria a sua forma de contribuir para mudar o mundo, denunciando o que estava mal, amplificando o que se fazia bem.

 

Depois, nos bancos da Universidade do Minho, onde tirou a Licenciatura em Comunicação Social, percebeu que era no jornalismo diário e no frenesim da atualidade que se realizaria como profissional. Teve a sorte de ter arranjado o primeiro emprego no jornal com que sonhara. Foi, entretanto, perdendo a vontade de ser enviada especial a um país em guerra. Já estava demasiado imbuída nas batalhas de todos os dias, e acreditava que estava a fornecer aquela que é a melhor arma para as travar: a informação. E ficou pela redação durante 14 anos. Mas a vontade de viajar nunca a abandonou. Tornou-se uma espécie de saudável vício, uma necessidade de sentir outros mundos e culturas, não apenas olhar para eles, e passar sobre eles, mas antes vivê-los.

 

Saiu do Público quando deixou que outro sonho falasse ainda mais alto – porque concorda com o António Gedeão, que escreveu na sua Pedra Filosofal que sempre que o homem sonha “o mundo pula e avança, como bola colorida nas mãos de uma criança”. Foi o facto de ter uma criança, e de lhe ter nascido uma filha que lhe mudou a vida e a visão que tem sobre ela. É sempre assim, a maternidade. Definitiva e avassaladora. Mais importante que uma carreira profissional, e um emprego estável (dentro da magra estabilidade que pode ter um emprego nos dias que correm) passou a ser o projeto de realizar uma grande viagem pelo mundo em família.

 

Durante o ano de 2012 pai, mãe e filha correram o mundo. Contaram essas experiências nas páginas do Fugas e no Diário da Pikitim. Agora, regressados a Portugal, continua a sentir-se sem fronteiras, e a pensar nas próximas viagens. Nem que sejam aquelas que podem ser feitas nas traseiras da sua casa.

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