Tribunal de Contas identifica conflitos de interesses na Maternidade Alfredo da Costa

Médicos encaminhavam crianças da MAC para serem operadas no Hospital da Cruz Vermelha.

O Tribunal de Contas (TdC) identificou médicos que encaminhavam crianças da Maternidade Alfredo da Costa para serem operadas no Hospital da Cruz Vermelha, onde também trabalhavam, o que representa uma «situação de conflito de interesses», avança a agência Lusa.

 

O caso é relatado numa auditoria de seguimento das recomendações do TdC à execução do acordo de cooperação entre a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e a sociedade que explora o Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCV).

 

O TdC recorda que os utentes da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) que necessitavam eram previamente observados, na MAC, por «especialistas de cardiologia pediátrica, em regime de prestação de serviços».

 

Parecer arrasa Maternidade Alfredo da Costa

«Face à complexidade e risco clínico crescente das grávidas que têm vindo a ser admitidas e internadas na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), devem ser adotadas medidas conducentes à sua adequada referenciação, de modo a que possam ser-lhes prestados os cuidados de saúde da máxima qualidade e acautelada a sua segurança» ou seja: ou a MAC corrige as falhas ou as grávidas devem ser transferidas. Esta é uma recomendação do parecer final da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) que fiscalizou a MAC no dia 13 de Agosto, depois de o jornal Correio da Manhã ter noticiado dois casos de possível negligência médica: o de Sílvia Rebelo, que perdeu os gémeos na maternidade e acabou por falecer, e o de outra mulher, que foi transferida para o Hospital de Santa Maria, onde chegou em risco de vida.

 

Segundo o mesmo documento, foram verificados factos que «violam os padrões de qualidade e segurança».

 

O Centro Hospitalar de Lisboa Central, ao qual pertence a MAC, reconhece que o edifício tem barreiras arquitetónicas que impedem obras para cumprir algumas das normas e que colocar rampas de oxigénio e vácuo nas enfermarias irá ter custos de 200 mil euros. A ERS argumenta que as limitações financeiras não se podem sobrepor à saúde e vida dos doentes e determina que as suas recomendações sejam cumpridas.

 

 

Maria João Pratt

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