Três acidentes diários com crianças peão em Portugal

II Semana Mundial da Segurança Rodoviária.

A II Semana Mundial de Segurança Rodoviária promovida pelas Nações Unidas tem lugar este ano entre os dias 6 e 12 de maio e é dedicada à Segurança dos Peões. Um quarto das vítimas de sinistralidade rodoviária no mundo são peões. Esta iniciativa mundial pretende chamar a atenção para a necessidade urgente de melhorar as condições de segurança dos peões, promovendo as ações e medidas necessárias para tal e, por esse meio, contribuir ainda para o cumprimento do objetivo da Década de Ação para a Segurança no Trânsito 2011-2020, de salvar 5 milhões de vidas.

 

A APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil junta-se a esta iniciativa chamando a atenção para o número de acidentes que acontecem diariamente com crianças peão. Em Portugal, nos anos 2010 e 2011, foram atropeladas 2460 crianças, sendo a faixa etária dos 10 aos 14 anos a mais afetada. Estes números, disponibilizados pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), indicam que, em média, ocorrem três acidentes por dia com crianças.

 

Por que é tão fácil atropelar uma criança?

De acordo com a APSI, «por não serem adultos em ponto pequeno, as crianças e os adolescentes são especialmente vulneráveis quando andam a pé. Tal deve-se às suas características – físicas, cognitivas, percetivas, comportamentais e emocionais – que são tão específicas e distintas das dos adultos».

 

Continua, «as crianças são mais baixas, o que reduz a sua capacidade de ver o espaço e o movimento dos diferentes utilizadores e impede, muitas vezes, que sejam vistas pelos condutores. Um carro parado em cima de uma passadeira, um autocarro em segunda fila, um mupi, marco de correio ou árvore mal localizados podem esconder uma criança e torná-la “invisível” para quem se desloca de carro ou mota». Por outro lado, a presidente da APSI lembra que «as crianças andam mais devagar e demoram mais tempo a fazer determinados percursos, como por exemplo, a atravessar a rua. E de um momento para o outro, e sem ninguém esperar, largam a mão e voltam para trás ou correm para o meio da estrada, o que é um comportamento natural e previsível».

 

Segundo a APSI, «os conhecimentos, as capacidades e experiência das crianças e adolescentes não são os mesmos que os dos adultos, assim como, a sua capacidade de avaliar o risco. Por esta razão não conseguem reagir da mesma forma a situações tão complexas como as geradas pelo trânsito automóvel: múltiplos utilizadores, com velocidades diferentes, que se deslocam em sentidos diferentes, os sons, os sinais, os obstáculos no passeio. São inúmeros os estímulos e informações que a criança tem que “tratar e interpretar”, o que se revela uma tarefa muito complicada, sobretudo para as mais novas».

 

Necessidade de implementar medidas minimizadoras

«Portugal tem de assumir um compromisso mais sério com a resolução do problema dos atropelamentos com crianças e adolescentes», considera a APSI. Para tal, são necessárias medidas para aumentar a segurança dos peões, como a introdução de leis que obriguem à redução da velocidade nas zonas residenciais e perto de estabelecimentos de ensino e a criação de legislação que responsabilize o condutor no caso de acidentes que envolvam crianças e adolescentes, colocando o ónus da prova no condutor. É também aconselhado o apoio aos esforços de alteração das normas europeias para o design dos veículos de forma a reduzir o risco de lesões nos peões.

 

Outras medidas ainda foram propostas no âmbito do Plano de Ação para a Segurança Infantil, agora em reformulação na Direção-Geral da Saúde, como por exemplo, a intensificação da fiscalização no espaço peri-escolar (nomeadamente no que diz respeito à velocidade e estacionamento) e a identificação, análise e disseminação dos princípios e boas práticas para o projeto e construção de redes viárias e pedonais seguras à volta dos estabelecimentos educativos e zonas residenciais.

 

No âmbito do Plano de Acessibilidade Pedonal de Lisboa, a APSI está a desenvolver para a Câmara Municipal de Lisboa um estudo sobre a segurança rodoviária na envolvente das escolas. Este estudo, que será publicado em breve, tem como ponto de partida as limitações e necessidades específicas das crianças, e como objetivo identificar estratégias para promover uma maior acessibilidade, mobilidade e autonomia da criança enquanto peão à volta da escola e nos percursos casa-escola.

 

O que as crianças exigem

A APSI considera que «as crianças têm direito à redução da velocidade dos veículos nas zonas onde vivem e perto dos estabelecimentos de ensino, a zonas sem carros , a passeios largos e desimpedidos, sem carros estacionados, a passadeiras bem sinalizadas, a transportes públicos que sirvam as suas necessidades , a percursos pedonais com espaços para brincar com os amigos e zonas para descansar e conversar e um ambiente rodoviário onde se possam movimentar autonomamente e sem restrições».

 

Segurança da Criança Peão – Iniciativas da APSI

No âmbito da II Semana Mundial da Segurança Rodoviária, a APSI vai dinamizar uma série de iniciativas que vão ser divulgadas diariamente na página no Facebook da associação. «Super-visível!» ou «Carro Amigo das Crianças» são alguns dos desafios que serão lançados pela APSI. Todos os dias será também divulgada uma dica para aumentar a segurança e mobilidade da criança peão.

 

 

Maria João Pratt

 

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