Trabalho infantil: Associação apela aos portugueses que denunciem casos

Número de crianças trabalhadoras diminuiu um terço, desde 2000, mas ainda são 168 milhões a nível mundial

A presidente da Confederação Nacional de Ação Sobre o Trabalho Infantil (CNASTI), Fátima Pinto, apelou hoje aos portugueses que denunciem situações de trabalho infantil, como casos de mendicidade ou prostituição de menores, que têm vindo a agravar-se.


O apelo de Fátima Pinto surge na véspera de se assinalar o Dia Mundial Contra o Trabalho Infantil, que este ano chama a atenção para o papel da proteção social para manter as crianças afastadas desta situação ou para dela as retirar.

 

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), que instituiu esta data em 2002, afirma que “a pobreza e os choques económicos”, como o desemprego, são os principais fatores que levam as crianças a trabalhar.

 

Fátima Pinto disse à Lusa que “as situações de crise normalmente levam a um agravamento do trabalho infantil”, que não se tem verificado no trabalho tradicional, mas nas “piores formas” de trabalho infantil.

 

“Estamos a assistir a crianças que vão pedir, a crianças que são introduzidas no tráfico muito mais cedo do que era habitual” e casos de prostituição infantil, sobretudo nas grandes cidades.

 

As organizações que trabalham nesta área têm verificado “uma situação bastante gravosa e nota-se, no país, um clima propício a que essas situações se venham a agravar”, advertiu.

 

O relatório do Observatório do Tráfico de Seres Humanos refere que, em 2013, foram detetados 49 menores alegadamente vítimas de tráfico.

 

Já à Linha SOS-Criança, do Instituto de Apoio à Criança, foram reportados 16 casos de mendicidade, seis de trabalho infantil, cinco de abandono escolar e dois de prostituição infantil.

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