Silêncio sobre abuso sexual de menores “é perigoso”, diz ativista

Alguém que tenha sido abusado sexualmente em criança deve ser capaz de denunciar o abusador, sobretudo se este ainda estiver em contacto com menores, porque “o silêncio é perigoso”, alertou esta quinta-feira o escocês Matthew McVarish.
créditos: AFP/JOSEPH EID

O ator, escritor e músico esteve hoje em Lisboa para promover a campanha de sensibilização “Rumo à mudança: caminhar para acabar com o silêncio” (www.stopthesilence.org).

Matthew McVarish partiu de Londres, capital britânica, a 31 de maio de 2013 e, desde então, já percorreu 12 mil quilómetros, um “feito extraordinário para um homem que diz não gostar especialmente de caminhar”, destacou a embaixadora britânica em Lisboa, Kirsty Hayes.

Ele próprio vítima de abuso sexual até aos 13 anos, por parte de um tio, Matthew McVarish é hoje o embaixador europeu da campanha da organização Stop the Silence (acabar com o silêncio).

Vestido de azul e com um kilt (roupa tradicional escocesa), o ator disse estar contente por chegar à 28.ª cidade europeia, das 32 que percorrerá até fevereiro do próximo ano.

“Este problema afeta todos, não há sociedades imunes”, disse, em declarações aos jornalistas, junto ao Padrão dos Descobrimentos, antes de iniciar a caminhada.

Uma em cada cinco crianças

“Uma em cada cinco crianças será sexualmente abusada antes dos 18 anos”, recordou, citando dados da Organização Mundial de Saúde.

Porém, assinalou, o assunto continua a ser tabu. “Não há nenhum país na Europa que fale confortavelmente sobre abuso sexual de crianças. Mas, não falando sobre isso, estamos a permitir que aconteça”, realçou.

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