Rapazes recorrem a medicamentos e suplementos ilegais para mudar o corpo

Os distúrbios alimentares são mais frequentemente associados a raparigas, mas novo estudo sugere que o rapazes também podem ir a extremos para melhorar a aparência.

O problema pode ser semelhante a um distúrbio alimentar tradicional ou envolver a utilização de medicamentos e suplementos, de acordo com um grupo de investigação norte-americana, e tende a ser acompanhado de depressão, consumo excessivo de álcool e drogas recreativas.

 

«Os resultados dos nossos estudos sugerem que é preciso pensar mais amplamente sobre os distúrbios alimentares, de forma a incluir os rapazes», afirma Alison Field, autora principal do estudo agora publicado na revista JAMA Pediatrics e professora associada de pediatria no Hospital Infantil de Boston, nos EUA.

 

Os distúrbios alimentares clássicos incluem anorexia nervosa, em que uma pessoa se recusa a comer, e bulimia nervosa, em que alguém come em excesso e, de seguida, purgam-se através do vómito ou do uso de laxantes.

 

«Para uma série de rapazes, o esforço é feito de maneira diferente», diz Alison Field. «Provavelmente estão envolvidos em comportamentos diferentes da purga».

 

Estima-se que um em cada 10 casos de distúrbios alimentares ocorre em rapazes.

 

Para o novo estudo, Alison Field e seus colegas analisaram as respostas a um inquérito para verem que preocupações tinham os rapazes adolescentes sobre os seus corpos. A equipa de investigação também quis saber se os distúrbios alimentares estavam associados a comportamentos pouco saudáveis, como o uso de drogas e álcool. Os inquéritos foram respondidos por 5527 rapazes entre os 12 e os 18 anos.

 

Os investigadores descobriram que 31 por cento dos adolescentes tinham tido – em algum momento – comido em excesso, com purga subsequente. Cerca de 9 por cento relataram um alto nível de preocupação com a musculatura do corpo e de cerca de 2 por cento responderam que já tinham recorrido a algum tipo de suplemento, a hormonas de crescimento ou a esteroides anabolizantes para melhorar a aparência muscular.

 

A utilização desses produtos subiu para cerca de 8 por cento, quando os investigadores analisaram apenas jovens entre os 16 e os 18 anos. Os jovens que usavam produtos para fazer crescer a musculatura também apresentavam uma maior propensão para beber em excesso e consumir drogas ilícitas.

 

«Os resultados deste estudo sugerem que os rapazes que estão extremamente preocupados com o seu físico estão a fazer ou a usar coisas muito pouco saudáveis», declara Alison Field.

 

«O número jovens que sente necessidade de mudar o corpo recorrendo a estes medicamentos e suplementos é de tal forma grande que as famílias devem estar despertas para isso e os médicos e enfermeiros devem estar cientes desta realidade», conclui a líder da investigação, alertando para a facilidade com que os adolescentes podem adquirir tais produtos, uma vez que «há toda uma gama de medicamentos e suplementos disponíveis online à espera de serem comprados pelos jovens sem que os pais se apercebem».

 

 

Maria João Pratt

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