Programa ensina pais a lidar com crianças com paralisia

Um programa de educação parental desenvolvido para crianças com hiperatividade e défice de atenção está a ser dirigido em Coimbra a crianças com paralisia cerebral, promovendo, junto dos pais, a chamada "parentalidade positiva".

Numa relação onde a paralisia ocupa um papel central, os pais podem demitir-se da "imposição de regras e limites" por sentirem que a vida "já castigou demasiado o seu filho", explica Joana Lobo, psicóloga da Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC), instituição que, em parceria com a Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, decidiu implementar o programa de educação parental "Anos Incríveis", que desenvolve estratégias para reduzir distúrbios em crianças com hiperatividade, défice de atenção ou agressividade.

"Porque é que estes pais precisam do programa? Porque são pais. A paralisia é uma coisa na vida, mas não é a vida", sublinha uma das coordenadoras do programa em Portugal, Filomena Gaspar, referindo que as estratégias utilizadas pretendem fazer com que o foco dos pais "não seja no que a criança não faz bem, mas no que faz bem".

Segundo a também docente da Faculdade de Psicologia, os pais precisam de "se focar no essencial e não gastar tempo no que não interessa", dando atenção positiva ao mesmo tempo que impõem limites e consequências para desobediências e birras.

Acabar com a frustração e insegurança dos pais

Numa sala da sede da APCC, pais de 13 crianças com paralisia cerebral, dos três aos oito anos, começaram em abril a receber formação deste programa, em que se procura "acabar com a frustração e insegurança" que os progenitores possam sentir, diz à Lusa Joana Lobo.

Durante as formações, que ocorrem uma vez por semana e que são dinamizadas por investigadores da Faculdade de Psicologia, os pais põem-se no lugar dos filhos, aprendem a impor limites e a brincar, numa sala onde reina o pensamento positivo, que segue depois para casa, como conta Susana Pires, mãe da Carolina, de sete anos.

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