Professores e alunos temem que ensino artístico se torne exclusivo das elites

Professores e alunos de escolas de música e dança temem que o ensino artístico se torne num nicho apenas para as elites, com as dificuldades de financiamento e consequente diminuição de estudantes.
créditos: LUSA

Segundo números avançados pela Federação Nacional de Professores (Fenprof) durante uma manifestação junto ao Ministério da Educação em Lisboa, só este ano letivo o ensino artístico deve perder mais de 7.500 alunos em todo o país, na sequência das dificuldades de financiados que estão a ser colocadas às escolas privadas do ensino artístico especializado.

O secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, estima que, a continuar este caminho, dentro de dois ou três anos o ensino artístico seja residual e passe a ser considerado um luxo.

“Estão a tentar matar a democratização do ensino artístico”, declarou Mário Nogueira aos jornalistas durante a manifestação que hoje juntou algumas centenas de professores, encarregados de educação e alunos na Avenida 5 de outubro, em Lisboa, junto ao Ministério da Educação.

Para a Fenprof, os cortes de financiamento não têm ligação com políticas de austeridade ou necessidade de poupanças, mas sim com uma “ideia e conceção do Ministério da Educação” relativamente ao ensino artístico, colocando-o num lugar “absolutamente secundário”.

Além dos mais de 7.500 alunos que deixaram de ser considerados para financiamento no ensino artístico, a Fenprof estima que possam ser reduzidos 300 postos de trabalho.

Só na Academia de Dança Contemporânea de Setúbal o corte de financiamento foi de 22%, lembra um grupo de alunas presente na manifestação, que teme ficar “impedidas de acabar os seus cursos”.

Mariana Pedro, aluna desta Academia, afirmou à agência Lusa que a escola deverá conseguir arrancar este ano letivo, mas será difícil “manter a sua abertura, pondo em causa a continuidade dos estudos de muitos alunos”.

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