Pais querem “linha" nas escolas para evitar agressões

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais defendeu esta quarta-feira mais meios e autonomia das escolas para evitar “situações isoladas” como as agressões desta semana no Porto, alertando que falta na escola pública uma “linha de responsabilidade”.
créditos: LUSA/ESTELA SILVA

“Nas escolas públicas falta alguma organização e autoridade do sistema. Quando existe uma situação que não está correta, o diretor [da escola] não tem autoridade nenhuma. Quem tem é a tutela. Mas é a escola que tem de ter capacidade para decidir”, observou Jorge Ascensão, presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), em declarações à agência Lusa.

“Não há uma linha de responsabilidade na escola pública”, acrescentou.

Para o responsável, a agressão de um aluno de 16 anos a um funcionário numa escola de Gondomar, e da mãe de uma aluna a uma professora de um estabelecimento de ensino no Porto foram “casos isolados”, mas também consequência de, na escola pública, “ser muito complicado” colocar os problemas “nos carris” quando “proativamente as pessoas falham”.

“O conceito de serviço público está a ser repensado. Na escola pública tem faltado essa capacidade. Numa escola privada, os pais apresentam um problema e, em último caso, o patrão toma conhecimento. O patrão não quer perder clientes. O cliente é uma pessoa a quem se tem de dar muita atenção e na escola pública continuamos a ter utentes”, observou Jorge Ascensão.

A Confap defende, por isso, que o Conselho Geral das escolas seja “uma espécie de conselho de administração que fiscaliza a escola, e o seu diretor um CEO”, ou seja, um administrador executivo.

Para o responsável, existe na educação “alguma instabilidade emocional, quase epidémica, que pode começar em qualquer um dos pontos”, ou seja, nos pais, nos alunos, nos professores ou nos funcionários.

“Temos relatos de mães e pais preocupados porque um docente do primeiro ciclo segrega e insulta os alunos, chamando-lhes de burros. Quando surge um caso destes, isso equivale logo a 20 ou 30 famílias descontentes”, descreve.

De acordo com o responsável, os problemas que a escola pública enfrenta passam por ter “um universo heterogéneo muito grande” e por uma necessidade de “meios” ou “de outros métodos para trabalhar a formação na escola”.

Comentários