Pais manifestam-se em Coimbra e exigem mais uma turma em escola de Penacova

"Há uma lei que protege os miúdos e alguém está a fugir à sua responsabilidade", dizem os pais

Pais e alunos concentraram-se hoje de manhã em frente à Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares (DGEstE) do Centro, em Coimbra, e exigiram mais uma turma na escola básica de Figueira de Lorvão.

 

A exigência deve-se à não aprovação da criação de cinco turmas para os 86 alunos da escola básica de Figueira do Lorvão proposta pelo Agrupamento de Escolas de Penacova, onde estão matriculados "sete alunos com necessidades educativas especiais" (NEE), o que obrigaria "à criação de turmas com um máximo de 20 alunos", explicou Jhonny Rocha, representante da Comissão de Pais daquela escola.

 

"Qualquer turma que tenha alunos com necessidade educativas especiais tem de ter um máximo de 20 alunos", havendo neste momento duas turmas, das quatro da escola, com "25 alunos e 21", expôs Jhonny Rocha, referindo que os pais e encarregados de educação apenas querem que "seja cumprida a lei".

 

Os pais e alunos chegaram a Coimbra por volta das 11:00, depois de uma concentração na escola básica de Figueira do Lorvão e de uma marcha lenta com cerca de 40 viaturas, do Agrupamento de Escolas de Penacova até à DGEstE do Centro, em Coimbra.

 

"Há uma lei que protege os miúdos e alguém está a fugir à sua responsabilidade", estando os pais "à espera de uma resposta" da DGEstE, sublinhou o representante da Comissão de Pais, informando que hoje será decidido se o boicote ao início das aulas se irá manter ou não.

 

Carla Teixeira, mãe de um aluno do 3.º ano da escola, presente na concentração, salientou que os pais querem "apenas ser tratados de forma" igual em relação a casos semelhantes, apontando o exemplo de "uma escola vizinha" no concelho de Penacova, em que a regra do limite máximo de 20 alunos é cumprida.

 

"O ano passado, tivemos cinco turmas. Não percebemos porque é que isto acontece", contou Luís Rodrigues, pai de uma aluna da escola de Figueira do Lorvão, referindo que, quanto à manutenção do boicote, "não se pode prejudicar as crianças muito mais tempo".

 

Apesar disso, o encarregado de educação afirmou que "a reivindicação vai continuar" até que seja criada mais uma turma.

 

Na segunda-feira, os pais e encarregados de educação dos alunos da EB1 de Figueira de Lorvão manifestaram-se junto do estabelecimento de ensino e boicotaram o início das aulas, mantendo o protesto na terça-feira e na quarta-feira, não levando as crianças à escola, para exigirem o "cumprimento da lei", disse à agência Lusa Jhonny Rocha, da Comissão de Pais.

 

O presidente da Câmara de Penacova, Humberto Oliveira, que se deslocou a Figueira de Lorvão, na segunda-feira, para manifestar solidariedade aos pais e encarregados de educação, disse à agência Lusa que se trata de "uma reivindicação justa".

 

"Com este número de crianças com NEE, a escola devia ter cinco turmas, em função do grau de funcionalidade daqueles alunos, pelo que formalmente os pais têm toda a razão nas suas exigências", frisou o autarca.

 

A Comissão de Pais tem já marcada uma reunião com o Provedor da Justiça para terça-feira, onde irá expor a situação.

 

Por Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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