Pais de jovens com trissomia 21 lançam campanha para sensibilizar empresas

O dia mundial da trissomia 21 é assinalado em Portugal desde 2008 e foi reconhecido pelas Nações Unidas em 2012.

Um grupo de pais de jovens com trissomia 21 vai lançar nesta quarta-feira uma campanha de sensibilização sobre a capacidade destes deficientes terem empregos e salários equivalentes e defendem as vantagens para o Estado em tempo de crise.

 

A campanha - lançada um dia antes da comemoração do dia mundial da trissomia 21 – tem como tema «Acredita, eu consigo» e visa combater os preconceitos contra estas pessoas, além de mostrar o seu potencial enquanto trabalhadores, explicou à Lusa um dos membros da associação, Marcelina Souschek.

 

Os anúncios serão lançados nas principais cidades do país e apresentam 10 casos de crianças e jovens que mostram o que fazem e são capazes de fazer.

 

«Queremos com esta campanha, mais do que sensibilizar, mudar mentalidades, provocar no público e nas empresas a reflexão sobre a capacidade e a responsabilidade de cada agente económico e social gerar oportunidades para as pessoas com trissomia 21», explica a mesma responsável.

 

«Os agentes económicos também têm a capacidade de gerar oportunidades e estas oportunidades vão criar um projeto de vida», defendeu a responsável da associação Pais 21.

 

Este ano, a associação quis focar-se sobretudo nos jovens deficientes à procura de trabalho, que, tal como todos na sua faixa etária, se debatem com muito maiores dificuldades por causa da crise económica. «É evidente que a crise é transversal e afeta também as pessoas com deficiência.»

 

«O grande problema aqui é que estas são pessoas mais vulneráveis», afirma Marcelina Souschek, sublinhando que os cortes financeiros que estão a ser feitos reduzem os apoios necessários às pessoas que têm esta doença. «Todos estes cortes fazem com que os miúdos tenham menos apoios e com que os pais já não tenham dinheiro para pagar – já que o Estado comparticipa pouquíssimo – por um acompanhamento», criticou.

 

«Isto não funciona pegando num jovem que vai iniciar um emprego e levando-o para lá para que ele se resolva, como outro jovem. É preciso um acompanhamento inicial», lembra Marcelina Souschek, sublinhando que empregar jovens com trissomia 21 também vai poupar dinheiro ao Estado.

 

«Deixa de haver jovens em instituições, que não estão a fazer nada, que sofrem depressões ou outras doenças mentais, e passamos a ter jovens ativos, saudáveis, que saem e que têm amigos», afirmou.

 

Inserido na Associação Portuguesa de Portadores de Trissomia 21 (APPT21), o grupo Pais 21 foi criado em 2009 e tem como objetivo «desmistificar a imagem das pessoas com esta doença e mostrar que são muito mais iguais que diferentes, têm grandes competências sociais, conseguem ser autónomas, ler, escrever e fazer desporto, ter uma profissão, ter uma vida», refere a entidade.

 

O dia 21 de março foi escolhido em alusão ao cromossoma adicional no par 21 que as pessoas com trissomia 21 têm. A doença também é conhecida por síndrome de Down e é a alteração genética mais comum.

 

Lusa

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