"O meu filho ainda não tem professor" foi a frase que marcou o ano letivo

“Angústia” e “preocupação” são as palavras usadas pelos pais para caracterizar a forma como viveram os problemas da educação em 2014, quando a atividade letiva completa só chegou a todos os alunos dois meses após o início das aulas.

“Os pais sentiram isso com enorme preocupação e angústia, nomeadamente os mais afetados pela situação”, disse à agência Lusa o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (CONFAP), Jorge Ascensão, ao falar dos sucessivos atrasos na colocação de professores que ensombraram o arranque do ano letivo.

Os pais não entendem como ao fim de tantos anos ainda não foi possível encontrar uma forma estável de colocar os professores para que todos os alunos tenham os respetivos docentes quando começam as aulas, em setembro.

À crónica falta de funcionários nas escolas, juntou-se este ano o problema dos professores de uma forma mais grave do que em anos anteriores, devido a uma nova forma de colocação dos docentes contratados, a Bolsa de Contratação de Escola (BCE).

“Ao tentar-se um novo método de colocação que não correu muito bem, o problema teve uma dimensão maior, um impacto mais generalizado e mais sentido e portanto o que nos fica é esta angústia de, ano após ano, não sermos capazes de iniciar a atividade letiva e todo o processo educativo na escola pública com normalidade, com regularidade”, afirma Jorge Ascensão.

A ideia era colocar os professores de uma forma mais célebre, mas erros associados a esta plataforma levaram à anulação do primeiro concurso e a um pedido de desculpas do ministro, Nuno Crato, no parlamento, que no mesmo dia viu o diretor-geral da Administração Escolar, Mário Agostinho Pereira, apresentar a demissão.

Crato teve ainda de lidar com a saída do secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário que pediu a demissão depois de notícias sobre trabalhos académicos alegadamente plagiados por João Grancho num seminário.

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