Novo avanço «crucial» no aborto espontâneo recorrente

Cientistas de fertilidade dizem ter feito um «avanço importante» na compreensão dos abortos recorrentes em algumas mulheres.

Tem havido um debate sobre se a administração de esteroides poderá ajudar as mulheres que por várias vezes perderam a gravidez. Investigadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, afirmam ter demonstrado como baixos níveis de esteroides potenciam alguns abortos espontâneos.

 

Os especialistas dizem que a identificação das mulheres certas para tratamento seria fundamental, pois os esteroides podem piorar o problema. Mais de uma em cada sete gravidezes termina em aborto espontâneo.

 

Muitas mulheres conseguem ter um bebé com sucesso na tentativa seguinte, mas os abortos recorrentes – perder três ou mais gravidezes consecutivas – afeta uma em cada 100 mulheres em Portugal, em consonância com os números do resto da Europa.

 

Siobhan Quenby, coordenadora do estudo e professora da Universidade de Warwick, disse: «O aborto espontâneo recorrente provoca um incrível sofrimento psicológico e angústia tremenda. O conselho de rotina na Europa é se os exames de sangue não conseguem identificar qualquer causa, então não há tratamento, conselho este que é difícil de aceitar pelas doentes.»

 

Recurso a esteroides?

O debate científico tem-se centrado em torno de uma parte do sistema imunológico denominada células NK, que aparecem em níveis mais elevados nos úteros de algumas mulheres que abortam.

 

Há sugestões de que o recurso a esteroides poderia ajudar essas mulheres pois sabe-se que são importantes para a implantação do embrião à parede uterina, embora ainda não estivesse clarificada a forma como as células NK poderia causar um aborto espontâneo.

 

Agora, os investigadores que publicam na revista The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, acreditam que as células NK são meramente um marcador de algo mais grave que ocorre no revestimento do útero.

 

Os testes sugerem que baixos níveis de esteróides tornam o próprio útero menos propenso a aceitar um embrião e danifica a maneira de alimentação de um feto que se implanta. Estes processos, por sua vez, conduzem a níveis mais elevados de células NK.

 

Siobhan Quenby disse: «Este trabalho é realmente animador, porque depois de anos de polémica e dúvidas, temos um avanço crucial.»

 

 

Maria João Pratt

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