Nova esperança para mulheres que desejam muito ser mães

Nascimento do primeiro bebé desenvolvido a partir de um útero transplantado entusiasma a comunidade científica. Mas a técnica ainda está a ser avaliada…

A mãe, uma mulher sueca de 36 anos, foi uma das nove selecionadas para receber um transplante num ensaio clínico. A dadora, de 61 anos, voluntariou-se depois de ouvir falar das dificuldade do casal para construir família e tornou-se madrinha do bebé, que nasceu no final de setembro de 2014. Prevê-se que este tenha sido o primeiro de uma nova vaga de nascimentos, já que no âmbito do mesmo projeto, liderado por Mats Brannstromm, professor de ginecologia e obstetrícia na universidade de Gotenburgo, na Suécia, duas outras mulheres receberam transplantes.

A técnica está, também, a ser estudada na Austrália, no Reino Unido, nos Estados Unidos da América, no Japão e na China, podendo novas análises e avaliações vir a ser reveladas no decorrer de 2015. «Para as mulheres que nasceram sem útero, esta é uma grande esperança», escreveu mesmo o jornalista do Le Monde que, na altura, deu a notícia. O embrião foi concebido in vitro, usando os óvulos da paciente (que tinha os ovários intactos) e o esperma do seu companheiro. A criança, um rapaz, nasceu, através de cesariana, com cerca de 1,8 quilos.

O parto teve, contudo, de ser provocado antecipadamente, na sequência de complicações que surgiram na trigésima-primeira semana de gravidez. A criança teve de ficar hospitalizada durante 10 dias mas acabou por ir para casa de perfeita saúde. Este êxito «abre via à possibilidade de tratar inúmeras mulheres jovens que, em todo o mundo, nasceram sem útero», assegura Mats Brannstrom, que sublinha que esta é a única causa de infertilidade que ainda não era tratável. A técnica demorou mais de uma década a aperfeiçoar.

O útero transplantado não é, contudo, definitivo, não podendo suportar mais do que duas gravidezes. «Este transplante de útero é também o primeiro transplante que é efémero», afirmou já publicamente o especialista. «Foi a primeira vez que um bebé se desenvolveu no útero de uma mulher que não a mãe mas sendo alimentado e transportado por ela durante a gravidez e isso é digno de registo», comentou também René Frydman, o responsável científico que acompanhou o processo do primeiro bebé-proveta francês.

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