Ministro diz que arranque escolar decorre com normalidade, mesmo com escolas paralisadas

Algumas escolas continuam a funcionar à revelia do Ministério da Educação

O ministro da Educação e Ciência afirmou hoje, no Porto, que “não há uma única providência cautelar” contra o encerramento de escolas que tenha tido efeito suspensivo e garantiu que o ano escolar iniciou-se com normalidade.

 

“Do meu conhecimento, não há uma única providência cautelar que tenha tido efeito suspensivo”, disse o ministro, que se escusou a comentar os casos particulares de escolas que abriram à revelia da decisão do Ministério da Educação.

 

“As providências cautelares são uma possibilidade legal que as pessoas podem utilizar. Têm todo o direito de o fazer. Nos apresentámos uma contestação fundamentada e a partir desse momento a providência cautelar cessa o seu efeito imediato”, disse o ministro da Educação, que falava na abertura da conferência internacional “Towards ohter Earths II – The Star Planet Connection”.

 

Questionado sobre a contestação dos professores contratados que alegam terem existido erros informáticos na sua colocação, o ministro Nuno Crato disse não conhecer em pormenor essa contestação.

 

Contudo, sublinhou que “o processo de colocação de professores é a ponderação de vários fatores, um dos quais é a graduação profissional (...).

"Os critérios estão na lei. É só ler a lei”, sublinhou.

 

Um dos argumentos utilizados pela associação de professores contratados relaciona-se com o facto de docentes com graduação académica inferior estarem a passar à frente de colegas com melhores resultados.

 

Nuno Crato acrescentou que no arranque do ano letivo “há sempre acusações”, mas garantiu que “os erros que existirem serão corrigidos. Se existirem, é evidente que esse será o nosso procedimento”.

 

“O ano letivo está a começar bem, apesar de uma ou outra contestação”, frisou, referindo que este é um processo que envolve “milhares e milhares de pessoas, de muitos professores e diretores".

 

"É um trabalho conjunto. Trabalhamos sempre para que corra da melhor maneira. Há sempre um problema ou outro, uma escola que tem uma dificuldade num aspeto ou noutro, mas os lugares em falta estão a ser preenchidos”, referiu.

 

Número insuficiente de professores nos Açores


O presidente do Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA), José Gaspar, disse hoje que o número de docentes colocados no pré-escolar e no 1.ºciclo na região "é insuficiente" para satisfazer as necessidades.

 

"O Sindicato Democrático dos Professores dos Açores tem conhecimento de que no presente ano escolar o número de docentes colocados para lecionar aulas de apoio aos alunos do ensino pré-escolar e dos primeiros anos do primeiro ciclo do ensino básico é insuficiente para assegurar a satisfação das necessidades efetivas das escolas", afirmou José Gaspar em conferência de imprensa no arranque do ano letivo 2014/2015.

 

O presidente do SDPA defendeu que se trata de uma "faixa etária" em que se deveria ter "uma atenção prioritária no sentido do reforço do apoio efetivo e adequado aos alunos com dificuldades de aprendizagem", principalmente para a prevenção do insucesso escolar.

 

"A escassez de alguns docentes, sobretudo para os apoios no primeiro ciclo do ensino básico, também no segundo ciclo e muito provavelmente também pelas informações que temos de docentes na área da educação especial", alertou.

 

Escola de Idanha-a-Nova paralisada

 

A população e autarcas locais consideraram hoje que o encerramento do complexo escolar de Monsanto, Idanha-a-Nova, é "um ato de traição" por parte do Governo.

 

"Queremos a nossa escola aberta" e que "façam aos filhos deles o que querem fazer aos nossos" foram algumas das palavras de ordem que ecoaram junto à entrada do complexo escolar de Monsanto (Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco), durante um protesto agendado para assinalar o arranque do ano letivo.

 

Em declarações à agência Lusa, Paulo Monteiro, presidente da União de Freguesias de Monsanto e Idanha-a-Velha, disse que o encerramento do complexo escolar "é um ato de traição do Governo".

 

O autarca explicou que, em conjunto com a Câmara de Idanha-a-Nova, "tinha-se prometido aos pais a recuperação da escola", o que foi feito no ano letivo anterior.

"Conseguimos atrair pessoas que vieram para cá (Monsanto) a contar com o funcionamento da escola. E, durante as férias, viemos a saber que o Governo fecharia a escola", adiantou.

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