Malala promete lutar até que a última criança seja escolarizada

A adolescente paquistanesa Malala Yousafzai, ícone da luta pelo direito à educação das mulheres, prometeu hoje lutar até que a última criança seja escolarizada, ao receber numa cerimónia em Oslo (Noruega) o prémio Nobel da Paz.

“Vou continuar esta luta até que eu veja todas as crianças na escola”, declarou Malala que, aos 17 anos, tornou-se na pessoa mais jovem a receber esta distinção, que este ano foi igualmente atribuída ao ativista indiano Kailash Satyarthi, de 60 anos, dos quais 35 foram dedicados ao combate do trabalho infantil.

Durante o seu discurso, a adolescente dedicou algum tempo ao atentado que sofreu em 2012.

A 09 de outubro desse ano, Malala Yousafzai sobreviveu a um ataque de talibãs paquistaneses, que a balearam na cabeça. Após ser operada no Paquistão, a jovem foi levada para o Reino Unido para receber tratamento, onde reside atualmente para continuar a sua educação em segurança.

“Tinha duas opções, uma era ficar em silêncio e esperar que me matassem. A outra era falar e depois matarem-me. Escolhi a segunda”, afirmou a jovem, acrescentando que o ataque tornou-a “mais forte”.

Em representação de 66 milhões de meninas banidas das escolas

A adolescente sublinhou ainda que a sua história não é única e que “muitas raparigas” também partilham esta vivência, dirigindo-se às cinco amigas que convidou para a cerimónia, incluindo duas adolescentes que também sobreviveram ao mesmo ataque.

“Não sou uma voz solitária, represento muitas vozes. (…) Represento 66 milhões de raparigas que estão fora das escolas”, disse ainda no discurso, no qual citou o Corão e recordou o ativista norte-americano Martin Luther King e o antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela.

A adolescente vai destinar a sua parte do valor pecuniário do Nobel da Paz (oito milhões de coroas suecas, cerca de 860.000 euros) para a construção de escolas no Paquistão, em especial no vale de Swat, região onde nasceu.

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