Mais de 12 mil crianças alvo de negligência identificadas pelas comissões de proteção

Das 8.021 situações relacionadas com o bem-estar da criança, mais de 90% referiam-se a violência doméstica

Mais de 12 mil crianças foram sinalizadas em 2013 pelas comissões de proteção por situações de negligência, o que representa mais de um terço das 35.766 situações de perigo identificadas, segundo dados oficiais.

 

De acordo com os dados do documento síntese da atividade das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) em 2013, as 35.766 situações de perigo, que se encontram dentro de um universo total de 71.567 processos acompanhados em 2013 pelas CPCJ, foram as que chegaram à fase de aplicação de medida de promoção e proteção.

 

De fora (35.801) ficam processos arquivados, seja porque se concluiu que não existia perigo ou risco, seja porque não houve consentimento dos pais para avançar com o processo e o caso seguiu diretamente para tribunal.

 

Dentro de todas as situações de perigo identificadas, a negligência é a que assume maior expressão, tendo as CPCJ identificado 12.329 casos, o que representa 34,5% do total, ou seja, mais de uma em cada três.

 

Dentro da negligência, a maior parte dos casos (48,2%) relacionava-se com falta de supervisão ou acompanhamento, 21,1% por falta de acesso a cuidados de saúde, 16,7% por falta de acesso a educação, 8,7% estavam relacionadas com questões psicoafetivas e 5,4% com indiferença parental perante os comportamentos das crianças ou jovens.

 

Logo a seguir às situações de perigo relacionadas com negligência, surge a exposição a comportamentos que possam comprometer o bem-estar e desenvolvimento da criança, com 8.021 situações.

 

Dentro desta categoria, a quase totalidade dos casos (94,5%) prende-se com situações de violência doméstica.

 

Houve também 1.307 situações de crianças ou jovens mal tratados fisicamente, dos quais 43,4% foram ofensas físicas em contexto de violência doméstica e 23,5% castigos corporais. 

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