Maioria dos apelos no SOS-Criança feitos por crianças que se sentem sós

A maioria dos apelos que chegam diariamente à Linha SOS-Criança são feitos por crianças que se sentem sós, mesmo acompanhadas em casa, disse à agência Lusa o coordenador do serviço, Manuel Coutinho.
créditos: JOSÉ COELHO/LUSA

Segundo o psicólogo, 64% dos apelos que chegaram no ano passado ao serviço telefónico do Instituto de Apoio à Criança (IAC) foram feitos por ”meninos, meninas e jovens que queriam falar com alguém”.

“As crianças e os jovens, por vezes, vivem numa solidão acompanhada. Estão pessoas perto deles, mas não têm confiança, não têm à vontade para falar com essas pessoas e ligam para o serviço SOS-Criança”, contou Manuel Coutinho.

Estas crianças “estão sozinhas e fechadas dentro delas próprias e são essas crianças, com dúvidas existenciais, com ideação suicida, com angústia, com os medos depressivos que procuram frequentemente” este serviço.

O secretário-geral do IAC explicou que o que “acontece muito” é as famílias estarem a passar por “períodos de grande fragilidade, não conseguindo conter” a pressão que recai sobre elas.

Ao não conseguirem enfrentar “tanta dificuldade” deixam, por vezes, “perpassar para as crianças uma falta de cuidado e atenção adequada” ou “não têm recursos nem meios para fazer frente à dificuldade e às necessidades que as crianças hoje precisam”.

Por outro lado, as famílias têm cargas horárias cada vez maiores que não se compatibilizam com os horários das escolas, o que contribui para que muitas crianças passem mais tempo sozinhas e aumente os seus sentimentos de “angústia e solidão”, advertiu o psicólogo.

Desde 1998 (ano em que o serviço foi criado) já chegaram mais 116 mil situações à Linha. Em 2014, recebeu 5.799 novas situações.

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