Maioria das crianças e jovens que tenta chegar à Europa enfrenta situações de abuso, exploração e tráfico

As crianças da África subsariana são mais visadas do que qualquer outro grupo, o que resulta em discriminação e racismo. Novo relatório da UNICEF apela à Europa para que crie "percursos seguros e regulares" para a migração.

A South Sudanese refugee child stands at the UNHCR camp of al-Algaya in Sudan's White Nile state, south of Khartoum, on May 17, 2017. More than 95,000 South Sudanese have entered Sudan so far this year, the UN said, as thousands continue to flee war and famine in the world's youngest nation. South Sudan, which split from the north in 2011, has declared famine in parts of the country, saying a million people are on the brink of starvation / AFP PHOTO / ASHRAF SHAZLY

créditos: AFP

As crianças e os jovens migrantes e refugiados que tentam chegar à Europa enfrentam níveis chocantes de violação de direitos humanos patentes nos relatos de 77% dos que viajam pela rota do Mediterrâneo Central, que dão conta de experiências pessoais de abuso, exploração e práticas que por vezes chegam a tráfico humano – afirmaram hoje a UNICEF e a OIM, a Agência das Nações Unidas para as Migrações, num novo relatório.

O relatório "Harrowing Journeys" (Jornadas Angustiantes, em tradução livre) revela que, embora todos os migrantes e refugiados estejam em elevado risco, as crianças e os jovens têm muito mais probabilidades de serem vítimas de exploração e tráfico do que os adultos com idade igual ou superior a 25 anos: quase o dobro de probabilidade na rota do Mediterrâneo Oriental e 13% mais na do Mediterrâneo Central.

Aimamo, um adolescente de 16 anos não acompanhado, da Gâmbia, entrevistado num abrigo em Itália, descreveu ter sido obrigado pelos traficantes a meses de trabalho físico esgotante quando chegou à Líbia. "Se tentas fugir, disparam sobre ti. Se paras de trabalhar, espancam-te. Éramos verdadeiros escravos. No final do dia, trancavam-nos sem que pudéssemos sair".

O relatório baseia-se nos testemunhos de cerca de 22.000 migrantes e refugiados, incluindo cerca de 11.000 crianças e jovens, entrevistados pela OIM.

"A dura realidade é que actualmente é prática comum as crianças que se deslocam pelo Mediterrâneo serem abusadas, traficadas, espancadas e discriminadas", afirmou Afshan Khan, diretora regional da UNICEF e coordenadora especial para a crise de refugiados e migrantes na Europa. "Os líderes da UE devem pôr em prática soluções duradouras que incluam vias de migração seguras e legais, a criação de corredores de protecção e alternativas à detenção das crianças migrantes".

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