Jovens em centros educativos sofrem mais maus-tratos do que jovens sinalizados

Rapazes internados em centros educativos que nunca foram sinalizados relataram mais experiências de maus-tratos na infância do que outros jovens assinalados pelas comissões de proteção, revela um estudo que analisou os fatores de risco para a delinquência.
créditos: LUSA

O estudo da Universidade do Minho, Escola de Psicologia, publicado na revista norte-americana ‘Violence and Victims, incluiu quatro amostras, cada uma com 30 rapazes, com idades entre os 13 e os 19 anos, uma das quais envolveu rapazes com medidas de internamento em centros educativos.

As restantes amostras incluíram jovens sinalizados na infância pelas Comissões de Proteção de Crianças e Jovens em Risco (CPCJR), mas que ficaram com os pais, rapazes sinalizados que foram institucionalizados e jovens da comunidade sem história de sinalização ou delinquência.

Uma surpresa

Para o autor principal do estudo ‘Adversidade na infância entre rapazes delinquentes institucionalizados e outros grupos de alto risco sem registo de crime em Portugal’, Ricardo Pinto, os resultados da investigação foram “uma surpresa”.

“Esperávamos encontrar alguma semelhança em termos de histórias, mas o que não esperávamos era encontrar mais histórias de adversidade no grupo delinquente, quando comparado com crianças que foram sinalizadas na infância”, explicou hoje o investigador à agência Lusa.

Para Ricardo Pinto, este é “um dado muito relevante, porque todos os jovens internados entrevistados não foram sinalizados na infância”, o que mostra que “os maus-tratos ocorreram e não houve nenhuma intervenção de proteção a estas crianças”.

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