Jovens com diabetes tipo 2 apresentam um risco maior de doenças cardíacas e renais

Há muitas perguntas não respondidas e poucas orientações para o tratamento de jovens com diabetes tipo 2.

Os dados mais recentes do estudo TODAY (estudo norte-americano sobre a diabete tipo 2 na adolescência e juventude) mostram que as crianças e os jovens que desenvolvem diabetes tipo 2 apresentam um risco elevado de também desenvolverem problemas cardíacos, renais e oculares mais rapidamente do que as pessoas que desenvolvem diabetes tipo 2 na idade adulta.

 

«A partir do momento que estes miúdos têm diabetes tipo 2, parecem apresentar um risco muito elevado de complicações precoces quando comparados com adultos», afirmou Jane Lynch, investigadora principal do estudo e professora de endocrinologia pediátrica da Faculdade de Medicina da Universidade do Texas, nos EUA.

 

Estudo inclui 699 crianças e jovens, com diabetes tipo 2

O aumento nas taxas de obesidade de jovens foi acompanhado por um aumento da taxa de diabetes tipo 2 em pessoas jovens. «É realmente uma questão de saúde pública», disse Jane Lynch. Dos 699 participantes do estudo TODAY, mais de um terço requeria medicação para a hipertensão ou para doença renal quase quatro anos depois de terem sido incluídos ao estudo. No estudo, publicado na versão online da revista Diabetes Care, da Associação Americana da Diabetes, 699 adolescentes foram aleatoriamente divididos em três grupos que receberam metformina, metformina e rosiglitazona ou metformina e intervenção intensiva no estilo de vida.

 

Apesar de as crianças do grupo de medicamentos combinados apresentaram os melhores resultados, todos os grupos apresentaram um mau desempenho. Os investigadores mostraram, até, um desapontamento particular pelo facto de o grupo com intervenção intensiva no estilo de vida não ter tido um desempenho melhor.

 

A taxa de deterioração da função das células beta (células pancreáticas que armazenam e libertam insulina) na juventude foi quase quatro vezes maior do que nos adultos, descobriram os investigadores, observando um declínio de 20 a 35 por cento anual da função das células beta, em comparação com 7 a 11 por cento nos adultos.

 

«Na puberdade, todas as pessoas se tornam um pouco resistentes à insulina... Quando se é insulino-resistente tem-se fome, e quando se tem diabetes tem-se sede. Isto torna-se num grande problema quando há tendência para fazer más escolhas alimentares, como é habitual na adolescência», lembra Jane Lynch.

 

Estudo topo de gama

Um aspeto preocupante dos resultados do estudo é que todos os jovens doentes tiveram de se encaixar num certo número de parâmetros de saúde, tais como não terem hipertensão ou ter um nível de hipertensão tratável. Todos os participantes no estudo receberam o melhor tratamento possível, educação e acompanhamento médico. Todos tinham de ter um pai ou um tutor que também participasse nas visitas clínicas e na educação do estilo de vida. Os medicamentos eram fornecidos pelo estudo bem como o seu transporte para as consultas.«É um tratamento topo de gama para qualquer criança com diabetes – e ainda assim obtivemos estes resultados», lamenta Jane Lynch.

 

Apesar das intervenções em todos os pontos do tratamento, as crianças ficaram cada vez mais doentes. Tanto os rapazes como as raparigas desenvolveram doença renal em taxas aproximadas, mas os rapazes adolescentes obesos apresentaram uma probabilidade de desenvolverem hipertensão 81% superior. «O que é especialmente difícil para estas crianças é que é provável que também desenvolvam fígado gordo, que limita o uso de medicamentos que controlam a hipertensão», declara Jane Lynch.

 

O estudo continuará à medida que os investigadores monitorizam os resultados globais dos participantes. «O nosso objetivo é seguir estes jovens durante 10 ou 15 anos para descobrirmos maneiras mais eficazes de prevenir esta doença e como prevenir complicações», remata Jane Lynch.

 

 

Maria João Pratt

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