Induzir e ampliar o trabalho de parto pode estar associado a um risco mais elevado de autismo

Estima-se que, em Portugal, uma em cada mil crianças sofra de autismo, sendo que destas 75 por cento são rapazes e 25 por cento raparigas.

As mulheres grávidas, cujos trabalhos de parto são induzidos ou ampliados, apresentam um risco maior de terem filhos com autismo, especialmente se o bebé for do sexo masculino, de acordo com uma análise retrospetiva feita por investigadores da Universidade de Duke e da Universidade do Michigan, ambas nos Estados Unidos da América. 

 

Os resultados, publicados hoje na revista Pediatrics, não provam causa e efeito, mas sugerem a necessidade de mais investigação, especialmente porque a indução e a ampliação do trabalho de parto têm sido usadas com mais frequência nos últimos anos.

 

Partos mais expeditos têm beneficiado mulheres com condições médicas que apresentam risco para elas e para os bebés que vão nascer. O parto induzido (estimulação de contrações antes do seu aparecimento espontâneo) e a ampliação do parto (aumento da força, duração e frequência das contrações durante o trabalho de parto) têm mostrado prevenir complicações, incluindo nado-mortos.

 

«Induzir ou ampliar o trabalho de parto tem sido sugerido como um fator que contribui para o desenvolvimento de autismo», disse Simon Gregory, autor do estudo e prodessor de Genética Médica na Universidade de Duke. «No entanto, estes estudos produziram resultados conflituantes e olharam para um número relativamente pequeno de indivíduos. O nosso estudo é, de longe, o maior do seu tipo, já que olha para a associação entre o autismo e a indução ou ampliação do trabalho de parto.»

 

Neste estudo, os investigadores analisaram os registos de todos os nascimentos ocorridos na Carolina do Norte durante um período de oito anos e combinaram 625.042 nascimentos com os correspondentes registos de escolas públicas, o que indicou se as crianças foram diagnosticadas com autismo. Cerca de 1,3 por cento de crianças do sexo masculino e 0,4 por cento das crianças do sexo feminino tiveram o diagnóstico do autismo. Em ambos os sexos, a percentagem de mãe que tiveram o trabalho de parto induzido ou ampliado foi maior entre as crianças com autismo, em comparação com as que não apresentavam autismo.

 

Os resultados sugerem que nas crianças do sexo masculino, o parto que tanto foi induzido como ampliado estava associado a um risco 35 por cento mais elevado de autismo, em comparação com o trabalho de parto que não recebeu qualquer tratamento. Este aumento estimado em risco leva em consideração fatores de risco maternos já estabelecidos e relacionados com a gravidez, tais como idade materna e complicações na gravidez.

 

Enquanto o parto induzido sozinho e o trabalho de parto ampliado também sozinho foram, cada um, associado a um risco aumentado entre crianças do sexo masculino, só a ampliação foi associada a um risco aumentado de autismo entre as crianças do sexo feminino. A razão para a diferença de resultados em crianças do sexo masculino e feminino requer uma investigação mais aprofundada.

 

 

Maria João Pratt

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