Igreja disponível para debater "novas" realidades familiares

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, Manuel Clemente, disse esta quinta-feira existir disponibilidade dos bispos para conciliar a tradição católica com novas realidades familiares.

“Estamos com muito boa vontade para tentar conciliar, da maneira mais autêntica, aquilo que é a tradição católica com aquilo que são as respostas a dar a situações que hoje efetivamente ou têm uma gravidade acrescida ou se põe em maior quantidade do que se punha noutra altura”, afirmou Manuel Clemente, em Fátima.

Ao falar na conferência de imprensa no final da 185.ª assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), na qual os bispos falaram sobre o sínodo extraordinário sobre a família, Manuel Clemente afiançou que “da parte da prática eclesial, quer em Roma, quer nas dioceses, se tem caminhado muito no sentido da maior atenção e da resolução possível de alguns problemas que se põem”, como os casamentos que resultam em divórcio.

“Hoje, em qualquer diocese - e eu falo por aquelas duas que servi e sirvo [Porto e Lisboa] - constantemente nós recebemos pedidos de verificação da validade do sacramento como matrimónio”, referiu, explicando que, “em grande parte dos casos”, se conclui pela “verificação da nulidade do sacramento e até com a abertura à possibilidade do sacramento matrimonial”.

O sínodo dos bispos sobre a família, que se realizou em outubro, em Roma, e no qual participou Manuel Clemente, aprovou um relatório final, sem que tenha sido alcançado um acordo em relação aos casos de divórcio e aos homossexuais.

Citado pela agência France Presse, o porta-voz do papa, padre Frederico Lombardi, disse que o relatório final foi “reequilibrado” para ter em conta a relutância dos prelados mais conservadores.

Casais homossexuais

O documento faz um inventário dos problemas diversos da família nos cinco continentes, como o acolhimento pela Igreja dos casais em união de facto, homossexuais ou divorciados.

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