Homens vítimas de violência doméstica humilhados quando fazem denúncia

A procuradora da República Fernanda Alves afirmou esta sexta-feira (10/03) que os homens vítimas de violência doméstica que decidem denunciar a situação são muitas vezes “desacreditados e humilhados” por familiares, amigos e até por instituições judiciais e policiais.
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“Apesar das mulheres sofrerem maiores taxas de violência doméstica, os homens também são vítimas deste crime”, afirmou a coordenadora da 7.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa no seminário "Os novos desafios de combate à violência doméstica e de género", promovido pelo DIAP.

Fernanda Alves sublinhou que “as mulheres também cometem violência doméstica” e os homens, tal como as mulheres vítimas deste fenómeno, também sofrem “comportamentos de controlo” e são alvos de agressões físicas, algumas com consequências graves, e psicológicas.

“Os homens também receiam abandonar relações abusivas, também têm medo e vergonha para pedir ajuda e muitas vezes são desacreditados e humilhados por terceiros, nomeadamente por familiares, amigos e até por instituições judiciais e policiais quando se decidem a denunciar a sua vitimização”, salientou a procuradora.

Problema de saúde e de cidadania

Para Fernanda Alves, a violência doméstica, além de ser “um gravíssimo problema de saúde pública”, tem também de ser encarada como “um problema de direito e de cidadania”.

Por isso, frisou, o combate a estes fenómenos criminais é considerado “prioritário pela direção do DIAP de Lisboa”. “Sabemos que a violência é um problema persistente cuja prevenção e combate tem que ganhar cada vez mais relevância e eficácia nos seus resultados, mas a violência não é uma inevitabilidade”, defendeu Fernanda Alves.

Para a procuradora, a “resposta eficaz” contra a violência doméstica passa sempre pela articulação de todas as entidades que trabalham no terreno de “forma célere e complementar, tendo em vista, além da punição do agressor, encontrar soluções adequadas para reparar ou minorar o sofrimento das vítimas”.

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