Gravidez e epilepsia

Podem os medicamentos antiepiléticos afetar a gravidez e o recém-nascido? A epilepsia transmite-se de mãe para filho? A mãe poderá amamentar o seu filho? Esclareça estas e outras dúvidas.

A epilepsia é uma doença crónica, com diferentes causas, que se caracteriza pela repetição de crises. É uma situação muito frequente e, em Portugal, uma em cada 200 pessoas sofre de epilepsia. Uma vez que as origens desta doença são diversas, pode manifestar-se em qualquer idade, ao longo de toda a vida.

 

Os estudos efetuados na área da epilepsia e gravidez ajudaram a estabelecer algumas diretrizes para as mulheres com epilepsia. De um modo geral, a epilepsia não impede a mulher de planear ter filhos. Pelo menos 90 por cento das crianças nascidas de mulheres com epilepsia são normais e saudáveis. Esta percentagem é mais alta se a gravidez for previamente planeada com o neurologista assistente e acompanhada pelos cuidados pré-natais.  



Engravidar com epilepsia

Não há qualquer inconveniente importante que impeça uma mulher com epilepsia de poder engravidar e de ter um filho saudável. Contudo, deverá planear a gravidez, consultando previamente o seu médico assistente. Assim, poderão tentar-se algumas medidas com o objetivo de diminuir os riscos da medicação para o feto, tentar a monoterapia (tratamento com um só medicamento), ajustar as doses, associar suplementos vitamínicos e tomar ácido fólico.


No caso de uma gravidez não planeada, deverá contactar o mais rapidamente possível o médico assistente para que, depois de avaliar a situação, possa orientar o tratamento durante a gravidez. Normalmente é necessária uma maior vigilância, com consultas e exames pré-natais mais frequentes.



Medicação antiepilética e potenciais lesões no bebé

Embora seja discutível a possibilidade de alguns antiepiléticos provocarem malformações, parece haver um risco ligeiramente maior do que o existente na população em geral. No entanto, o efeito nocivo de alguns tipos de crises epiléticas pode ser mais grave do que o dos próprios medicamentos. Pode-se mesmo afirmar que é preferível o pequeno risco que advém da toma destes medicamentos, na gravidez, do que o risco (elevado) em consequência de crises não controladas na mãe. Em caso algum, portanto, deverá ser interrompida abruptamente a medicação.



Transmissão de mãe para filho

 A epilepsia não se transmite, necessariamente, aos filhos. Apenas em alguns tipos de epilepsia poderá haver um fator hereditário, já que nas epilepsias decorrentes de lesão cerebral não existe essa transmissão.


Epilepsia e amamentação

 A mãe, quando medicada para a epilepsia, pode e deve amamentar o bebé. Isto permitirá que o filho continue a receber pequenas quantidades desses fármacos, que já antes passaram através da placenta e cordão umbilical, evitando, assim, os síndromas de abstinência, provocados pela falta repentina desses medicamentos. Alguns antiepiléticos, nomeadamente a etossuximida e os barbitúricos, exigem precauções especiais.


Muitas mulheres com epilepsia desencorajam-se de engravidarem devido ao medo de terem filhos com epilepsia, malformações ou outros problemas de saúde. Contudo, nunca é demais lembrar que a maior parte das mulheres com epilepsia tem bebés saudáveis. Com o acompanhamento regular e frequente dos médicos especialistas, a probabilidade de vir a ter um bebé perfeitamente saudável é muitíssimo elevada.

 


Maria João Pratt

 


Fonte: Liga Portuguesa contra a Epilepsia

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