Férias escolares deixam famílias transmontanas sem transportes

As férias escolares deixam apeadas as populações de dezenas de aldeias do Nordeste Transmontano que perdem o único transporte público com a paragem das aulas: o autocarro que transporta os estudantes durante o ano letivo.
créditos: FRANCISCO PINTO/LUSA

O táxi ou o apoio da freguesia é o que resta a uma população envelhecida, com parcas reformas, obrigada a deslocações para tarefas do quotidiano como uma ida ao médio, aviar receitas ou pagar faturas de serviços essenciais como água e luz.

A Lusa constatou esta realidade nas zonas do Romeu e Avidagos, no concelho de Mirandela, mas comum a outras aldeias do distrito de Bragança.

A paragem de autocarros do Romeu serve nesta altura do ano para “passar tempo” a Sebastião Maria e Fernando Martins ou para pedir boleia a amigos quando é necessário ir à sede de concelho, Mirandela.

“Estamos muito mal servidos de transportes. Assim que não há estudantes não há um transporte aqui. Para se ir à cidade tem de se mandar vir uma ambulância”, atira Armando Cepeda, mais abaixo, em Vale de Couço.

Antigamente tinham “comboios, automotoras, carreiras, tudo. Agora, o que há menos é transportes”, resumiu à Lusa outro habitante, Celestino Amorim.

Junta disponibiliza carrinha

O que vale a esta gente é que a junta de freguesia disponibiliza uma carrinha de nove lugares duas vezes por semana, à segunda e quinta-feira de manhã”, para deslocações a Mirandela.

Laura Vicêncio guarda tudo para a altura da carrinha. Deixa “passar o prazo da luz, dessas coisas todas”, se for preciso, para aproveitar. E não sabe é como vai fazer para ir à consulta médica dia 31, à tarde, uma sexta-feira.

“Tenho de alugar, se calhar um carro para ir”, apontou, fazendo contas aos 25 euros que terá de pagar.

Alberto Almeida e a mulher tiveram de ir fazer análise, na última terça-feira, e valeu-lhes a filha que perdeu duras horas de trabalho para os levar a Mirandela.

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