Especialistas defendem que quebra da natalidade se deve a obstáculos económicos

85,8% dos jovens adultos entrevistados expressa o desejo de vir a ser pai ou mãe num futuro próximo

Especialistas da Universidade de Coimbra defendem que a quebra da natalidade se deve a obstáculos económicos, rejeitando "o mito" de uma crise da família e da "questão motivacional".

 

"A quebra de natalidade não tem que ver com o desejo de não se ter filhos, mas com a impossibilidade de os ter", considerou Graciete Borges, investigadora na Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra, referindo que "há uma série de obstáculos para a parentalidade", entre os quais "a não conciliação da vida profissional com a familiar e a falta de rendimentos suficientes para serem pais".

 

Num estudo realizado pela investigadora, esta demonstra que 85,8% dos jovens adultos entrevistados (entre os 17 e os 37 anos) expressa o desejo de vir a ser pai ou mãe num futuro próximo, sendo o papel social futuro mais valorizado o da parentalidade (55%), acima dos 38% para a conjugalidade e 33% para o papel profissional.

 

"A natalidade tem vindo a descer acentuadamente e mostra que este rumo tem muito a ver com as condições de vida das pessoas", assim como com a saída de "muita gente do país em idade fértil", alertou.

 

Em Portugal, "quem tem filhos é muito penalizado. Entende-se que ser pai ou ser mãe é um problema pessoal e que não tem que ver com a sociedade", criticou.

 

Segundo Graciete Borges, "as políticas não atendem, muitas vezes, ao papel essencial da natalidade para a sustentabilidade do país", sendo esta "essencial para se manter a sociedade a funcionar de forma equilibrada".
 
Pais trabalhadores ignorados

 

O direito do trabalho "não pensa nos pais", frisou.

 

A quebra da fecundidade é "um sinal dado há muito tempo", sendo necessário "inverter o modelo de desenvolvimento sócio-económico", defendeu Sílvia Portugal, socióloga e investigadora no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

Comentários