Escolas vão continuar sem professores até ao final do mês

Algumas escolas poderão continuar sem professores até ao final do mês, alertou a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), criticando as falhas da Bolsa de Contratação de Escola.
créditos: AFP/SAEED KHAN

Na passada sexta-feira, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) anunciou a atribuição de 4.368 horários, mas rapidamente surgiram inumeros casos de professores que estavam a ser colocados em várias escolas ao mesmo tempo. Ao optar por uma, os docentes deixavam todos os outros lugares vagos.

Neste momento, ainda existem alunos sem professores e as escolas terão de recorrer novamente à Bolsa de Colocação de Escola (BCE) para tentar resolver a situação em algumas das 304 escolas classificadas como TEIP (Território Educativo de Intervenção Prioritária) ou com autonomia.

“Muitos dos quatro mil horários ficaram por preencher e temo que isto vá continuar assim até ao final do mês. É preciso acabar com esta multiplicidade de colocações”, disse o vice-presidente da Associação Nacional de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima, recordando o caso do docente que foi colocado em mais de 70 escolas.

Filinto Lima aponta falhas na aplicação da BCE, tais como o facto de as candidaturas dos professores terem todas o mesmo peso, não havendo uma ordem que obrigue a que no momento em que um professor “entra” numa escola, as restantes candidaturas sejam automaticamente anuladas.

Ou seja, para a ANDAEP, no momento em que um professor consegue uma colocação, todos os outros lugares a que se candidatou e nos quais também poderia ficar colocado, deveriam ficar disponíveis para outros candidatos.

“A aplicação deveria ser inteligente, mas neste momento a máquina ainda não está a funcionar”, lamentou Filinto Lima, em declarações à Lusa.

Esta semana deverá abrir uma nova BCE, para que sejam colocados os docentes em falta mas a ANDAEP teme que tal seja insuficiente: “Neste momento, não há nenhuma medida legislativa ao fundo do túnel que nos permita ter todos nas escolas, todos os professores a dar aulas”.

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