Comida embalada para bebés é pouco saudável

Novo estudo diz que alimentos infantis comerciais não atendem às necessidades nutricionais dos bebés.

Os alimentos comerciais para bebés não respondem às necessidades nutricionais dos bebés quando estes são desmamados, de acordo com um novo estudo.

 

Isto porque os alimentos comerciais são alimentos predominantemente doces que fornecem pouco benefício nutricional extra em relação ao leite materno ou às fórmulas, disseram os pesquisadores. Também afirmaram que os alimentos infantis comerciais são comercializados para consumo de crianças a partir dos quatro meses de idade, numa altura em que ainda devem ser somente amamentadas.

 

«Os alimentos comerciais mais utilizados considerados neste estudo não fornecem mais energia do que o leite materno ou fórmula, mas, ainda assim, são promovidos para uma idade em que vão substituir o leite materno ou fórmula, que é tudo o que os bebés com menos de seis meses realmente precisam», explicou uma equipa liderada por Charlotte Wright, da Universidade de Glasgow, na Escócia.

 

Um especialista nos Estados Unidos, disse que o estudo levanta questões importantes.

 

«A transição de uma dieta à base de leite para uma dieta à base de alimentos sólidos nesta faixa etária não deve ser feita de ânimo leve», disse Peter Richel, chefe do departamento de pediatria do Hospital de Northern Westchester, nos EUA. «Devemos proporcionar uma nutrição adequada para fornecer energia, consistente com a velocidade de crescimento e metas apropriadas para a idade em todas as áreas de desenvolvimento», disse.

 

No novo estudo, a equipa de Charlotte Wright analisou o conteúdo nutritivo de todos os alimentos de bebé no Reino Unido que podem ser usados durante o período de transição, num momento em que à criança é apresentada uma ampla gama de texturas de alimentos e sabores, a fim de incentivá-la a experimentar diferentes alimentos e a aumentar a sua energia e o consumo de nutrientes.

 

O estudo foi publicado online na revista Archives of Disease in Childhood.

 

Alimentos com demasiado açúcar

Em geral, cerca de dois terços dos produtos analisados pela equipa de investigação eram alimentos doces. A equipa disse que a exposição repetida a alimentos doces durante a infância pode levar as crianças a desenvolverem uma preferência por esse tipo de alimentos.

 

O objetivo principal dos alimentos de transição é aumentar o teor de energia da dieta e fornecer fontes mais ricas em nutrientes, como o ferro, disse que a equipa de Charlotte Wright. Mas não é o que se verifica.

 

«Embora seja compreensível que os pais podem optar por usar [esses produtos] no início do processo de desmame, os profissionais de saúde devem estar cientes de que tais alimentos não vão aumentar a densidade de nutrientes de uma dieta à base de leite», disseram.

 

E, embora o estudo se tenha concentrado em produtos vendidos no Reino Unido, acredita-se que os bebés portugueses provavelmente enfrentam os mesmos problemas nutricionais.

 

«A oferta existente de alimentos para lactentes é, na sua maioria, muito doce», disse Peter Richel. «Os pais devem estar cientes dos alimentos processados, dos adoçantes artificiais em iogurtes de fruta, em iogurtes “para bebés” e iogurtes líquidos. Estes produtos parecem agradáveis e fáceis de usar, com grandes campanhas de promoção, embalagens atrativas e conveniência de utilização.»

 

Os melhores alimentos para bebés, no entanto, podem ser feitos em casa. «Na primeira infância, com a introdução dos primeiros alimentos sólidos, seria maravilhoso que os pais arranjassem tempo para preparar comida, na cozinha de casa», disse Peter Richel. «Por exemplo, na fruta e vegetais, apenas basta dar-lhes uma fervura, misturar com um pouco de líquido (leite materno, fórmula ou água) e já está! É feito um puré. Podem ainda ser armazenadas algumas porções em cuvetes de gelo para facilitar as refeições.»

 

Apesar de a comida feita em casa dar um pouco mais de trabalho, «o resultado final vai ser bastante recompensador», acrescentou. «O que poderá ser mais importante do que a saúde dos nossos filhos?»

 

 

Maria João Pratt

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