Autor de relatório sobre natalidade desafia políticos a "perderem o medo"

O autor do relatório sobre políticas de natalidade desafiou os dirigentes políticos a perderem o “medo” e a comprometerem-se com medidas “claras e concertadas” para os próximos 20 anos, que derrubem os obstáculos ao nascimento de crianças.
créditos: LUSA

Ouvido hoje na comissão parlamentar de Saúde, o coordenador da Comissão para uma Politica de Natalidade em Portugal, Joaquim Azevedo, defendeu a necessidade de um compromisso social e político, para “remover os obstáculos a que os casais tenham mais filhos”.

“Mais do que medidas de incentivo à natalidade, o que é preciso é remover os obstáculos a que os casais tenham mais filhos, porque o que os estudos de fecundidade mostram é que os casais portugueses querem ter filhos e querem ter mais filhos”, sentem é que não têm condições para isso, disse.

Em Portugal, faltam apoios para as crianças dos zero aos seis anos, mas sobretudo dos zero aos três, ao nível de creches públicas, um “grande problema para o qual não tem havido medidas”.

A falta de articulação entre a vida familiar e profissional também é um “problema”, designadamente em termos de horários de trabalho, defende o especialista, considerando que “os empresários têm de ser responsabilizados por isso”.

"Política do bom trabalhador" inimiga da natalidade

Noutros países há empresas “altamente rentáveis” que penalizam o trabalhador que sai após o seu horário, mas, “em Portugal, temos a mania que o bom trabalhador é o que fica até às dez da noite”, afirmou, acrescentando que “isto tem impacto na decisão dos casais terem ou não filhos”.

Joaquim Azevedo aponta também o dedo à mentalidade que domina grande parte da sociedade portuguesa, que adotou “uma mística em relação aos filhos, que não faz sentido, em que o investimento do casal num filho daria perfeitamente para três”.

Aos políticos, recomenda que deixem de ter medo e adotem medidas concretas “amigas das crianças, das famílias e da natalidade”.

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