Aumento da pobreza infantil preocupa Cáritas Europa

Portugal, Espanha e Grécia entre os países mais vulneráveis

O aumento da pobreza infantil e as consequências que terá no futuro foi uma das preocupações manifestadas no Fórum de Desenvolvimento Institucional da Cáritas Europa, que durante três dias reuniu 70 participantes de 30 países europeus, em Setúbal.

 

"Preocupa-nos a ideia de nos começarmos a habituar a que haja cada vez mais pobreza, que comecemos a considerar natural que haja cada vez mais crianças que não estudam porque os pais não têm rendimento suficiente para adquirirem os livros de que necessitam", disse o secretário-geral da Caritas Europa, Jorge Nuno Mayer.

 

O responsável das Caritas Europa falava à Lusa no final do encontro a decorrer desde terça-feira em Setúbal, com o objetivo de partilhar experiências e fortalecer o conhecimento de ferramentas disponíveis na Cáritas Europa em matéria de Desenvolvimento Institucional.

 

Durante o encontro, os responsáveis de toda a rede europeia da Cáritas refletiram sobre as potencialidades na área de desenvolvimento institucional, designadamente sobre normas de gestão, captação de recursos e oportunidades de financiamento da União Europeia.


Em declarações à Lusa, o secretário-geral da Cáritas Europa garantiu total empenhamento na sensibilização da União Europeia para a necessidade de travar o aumento da pobreza provocado pela crise económica, principalmente em países do sul, como Portugal, Espanha e Grécia.

 

"Esta crise económica não é nenhum desastre natural, como um terramoto ou um `tsunami´. É uma crise que foi provocada por decisões económicas e por decisões políticas. E as medidas de austeridade dos últimos anos também estão a ter uma relação direta com o aumento da pobreza", disse, convicto de que há alternativas à política europeia dos últimos anos.

 

Para o responsável da Cáritas europeia, a Europa precisa de crescimento económico, mas não de um crescimento económico qualquer.

 

"Não nos serve um crescimento económico que não tenha como preocupação a melhoria das condições de vida das pessoas, porque é o futuro das pessoas que está em causa", disse, alertando para os perigos de um crescimento económico que só beneficia os mais ricos.

 

"Esse tipo de crescimento económico não resolve os problemas das pessoas, apenas agrava as desigualdades", disse, lembrando, como exemplo, que na Alemanha tem havido crescimento económico ao mesmo tempo que se assiste a um agravamento das desigualdades, devido à degradação das condições laborais de muitos trabalhadores.

 

Por Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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