Associação quer unidade de cuidados continuados pediátricos

A presidente da Associação No Meio do Nada apontou este domingo o verão de 2014 para a conclusão do projeto que vai acolher, em Matosinhos, crianças com necessidades especiais num centro de dia e numa unidade de cuidados continuados.

Denominado Kastelo, o espaço situado em S. Mamede de Infesta vai estar aberto 24 horas por dia com uma unidade de dia e outra de internamento, com capacidade para acolher «30 crianças» e precisa de um milhão de euros para obras de reabilitação da casa e adaptação do jardim doados ao Hospital Maria Pia, no Porto pela benemérita Marta Ortigão «há 35 anos» com o objetivo de apoiar crianças doentes, explicou Teresa Fraga, a enfermeira responsável.

 

Cedidas pelo Centro Hospitalar do Porto, as instalações vão ser recuperadas pela iniciativa Arredonda, levada a cabo por um hipermercado e que já recolheu 403 mil euros para o Kastelo, bem como pela Câmara Municipal de Matosinhos, que comparticipa os custos «até um terço» do orçamento total, mediante a «ginástica financeira» que for possível fazer no orçamento para 2014, revelou o presidente da autarquia, Guilherme Pinto.

 

Em declarações aos jornalistas no fim do lançamento da primeira pedra da futura unidade de cuidados paliativos e pediátricos, a presidente da Associação No Meio do Nada, Teresa Fraga, explicou que a «unidade de internamento» do projeto destinado a crianças e jovens dos zero aos 18 anos pode servir apenas «para descanso do cuidador».

 

«Tratar de uma criança 24 horas por dia, muitas vezes com outros filhos, é muito difícil», justifica a responsável.

 

«Esta casa vai contribuir para isso. Os pais podem deixar as crianças durante um período para descansarem, podem deixar e vir buscar ao fim de semana, podem vir ao fim do dia. E estará aberta durante 24 horas por dia, portanto os pais podem vir à hora que quiserem, de acordo com os seus horários de trabalho», frisou.

 

Tendo como objetivo «melhorar a qualidade de vida de crianças com necessidades especiais», o projeto está a ser financiado pela campanha Arredonda 2013, que regressa em dezembro, deixando Teresa Fraga com a esperança de que «os portugueses arredondem, nem que seja dez cêntimos» para ser possível concluir o projeto.

 

As verbas ainda não estão garantidas, mas a enfermeira que lutou por dar corpo a este projeto, destinado a crianças e jovens dos zero aos 18 anos, diz que «a obra tem de estar pronta em 2014. Gostaríamos que fosse a 31 de julho porque era aniversário de Marta Ortigão», explicou.

 

Guilherme Pinto, presidente da Câmara de Matosinhos, disse aos jornalistas estar «comprometido» com a associação em «tentar apoiar a edificação», com a «perspetiva de participar até um terço» dos custos.

 

«Vai ser um grande sacrifício, porque a autarquia tem vindo a ver baixar as receitas, mas vamos ter de conseguir porque estes projetos têm de ser vistos a outra luz. Temos de encontrar a forma para poder contribuir», observou.

 

Guilherme Pinto reconheceu que tal está relacionado com «a ginástica financeira» que vai ser necessário fazer na elaboração do orçamento municipal para o próximo ano. «Neste momento, temos muita pressão em termos de prestações sociais e, por todo o lado, estão a desaparecer apoios e está a aumentar o número de necessidades a todos os níveis», explicou.

 

«É um crescendo de carências e diminuição forte de receitas. Não é a quadratura do círculo, mas quase», lamentou.

 

 

Lusa

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