Apicultores do Douro dão lições a miúdos e graúdos

Só na região do Douro Internacional há mais duas centenas de apicultores que são responsáveis por cerca de 12 mil colmeias

Como retirar as alças que contêm a cera e o mel, o modo de evitar "valentes picadas" das abelhas e outros truques da apicultura são ensinados a miúdos e graúdos no Douro Internacional, uma região onde há cerca de 12 mil colmeias.

 

Terminado mais um ciclo apícola, a Associação de Apicultores do Douro Internacional (AAPNDI), a Associação ALDEIA e a Sabores - Associação de Produtores Gastronómicos das Terras de Miranda, promoveram uma "Cresta" que juntou miúdos e graúdos. Equipados a rigor, todos participaram naquela atividade, que consiste na retirada do mel das colmeias.

 

Para se participar numa ação como esta, onde há abelhas por todo o lado, o primeiro passo é a utilização de equipamento de proteção adequado para evitar as picadas das abelhas, que durante a função se tornam um pouco mais agressivas.

 

A retirada das alças que contêm a cera e o mel, a verificação de eventuais doenças que afetam os apiários, a avaliação das mais variadas qualidades de mel produzidas na época certa, são matérias abordadas pelos especialistas no decurso de cada ação, numa jornada com uma forte componente prática, onde todos podem experimentar as sensações de estar no meio de um apiário que contem milhares ou até mesmo milhões de abelhas.

 

"Proporcionámos uma visita a uma apiário onde os participantes puderam apreciar de perto a extração do mel. Ao mesmo tempo, demos-lhe a conhecer todo o processo de extração do mel e embalamento do produto", explicou Vítor Ferreira, técnico da AAPNDI.

 

O também apicultor referiu que a principal objetivo desta atividade tem por base a divulgação de um produto de qualidade como o mel, mas este tipo de atividade não pode ser virada para massas, já que "há regras a ter em conta".

 

Só na região do Douro Internacional há mais duas centenas de apicultores que são responsáveis por cerca de 12 mil colmeias, o que se traduz numa média de cinco apiários por produtor.

 

Como sempre acontece nestas lides que envolvem as abelhas, há sempre quem se sujeite" a umas "ferroadas". E Salvador Azevedo foi um pequeno e futuro aquicultor que não se livrou de cinco "valentes picadas de abelhas". Ficou, por isso, a perceber quão importante é o uso equipamento apropriado quando se procede a ações do seio de um apiário.

 

"Tive uma estreia atribulada porque fui picado pelas abelhas. Mas, mesmo assim, não desisti. Fui para o lado dos meus pais ajudar a varrer as abelhas das alças da colmeia.

 

Inicialmente, tive medo, Depois das picadas, soube adaptar-me e aprendi muitas coisas", explicou o adolescente, com um sorriso na face.

 

Outra das participantes, Ana Bivar, defendeu que seria importante introduzir este tipo de ações nas atividades extracurriculares dos alunos dos primeiros ciclos de ensino. Para que as crianças possam ter contacto com este tipo de atividades rurais, acrescentou.

 

Em jeito de conclusão, umas das participantes mais jovens e mais atentas no decurso da "Cresta", Maria Carvalho, mostrou estar preparada para o próximo desafio e parecia ter a lição na ponta da língua.

 

"Aprendi muita coisa desde o nascimento de uma abelha, que pude observar. Também observei que quando os apicultores utilizam fumo, enquanto estão a tirar o mel, é para abelhas pensarem que há incêndio. Assim, recolhem-se nas suas colmeias o que torna mais fácil a tarefa", sintetizou a pequena apicultora.

 

Por Lusa

artigo do parceiro: Nuno de Noronha

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