Alunos de pelo menos três escolas encerradas no Alentejo faltaram hoje às aulas

No Alentejo, de acordo com o Ministério da Educação e Ciência, encerraram este ano letivo 35 escolas

Os alunos de pelo menos três escolas do 1.º ciclo do ensino básico no Alentejo, encerradas este ano letivo, não foram hoje às aulas, em protesto contra o fecho dos estabelecimentos decidido pelo Ministério da Educação e Ciência.

 

Fontes dos municípios e do Sindicato dos Professores da Zona Sul (SPZS) disseram à agência Lusa que se registaram hoje protestos em Vila Ruiva (Cuba), Vila Nova da Baronia (Alvito) e Rio de Moinhos (Aljustrel).

 

“O ano letivo está a começar de forma bastante atribulada, não só pela grande falta de professores e de pessoal não docente, como também pela confusão instalada em algumas escolas, nomeadamente em várias do 1.º ciclo que foram encerradas”, criticou à Lusa o presidente do SPZS, Manuel Nobre.

 

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Cuba, João Português, revelou que os alunos da escola de Vila Ruiva, que já não abre este ano letivo, “não vão às aulas durante esta semana, por decisão dos pais e encarregados de educação”.

 

“Não houve manifestação, mas as crianças não foram hoje às aulas, nem vão durante esta semana”, até porque “ainda nem sabem para que escola é que têm de ir”, afirmou.

Segundo o autarca, os alunos, “à partida, teriam de ir para a escola de Vila Alva, mas não querem e preferem ir para Cuba”.

 

“Mas ainda não foi tomada qualquer decisão” pelos serviços regionais do Ministério da Educação e Ciência (MEC) e “nem a câmara sabe de nada oficialmente”, frisou, alertando que o município “não tem transporte adaptado para efetuar o transporte escolar”.

 

No concelho de Alvito, os 44 alunos de Vila Nova da Baronia também não compareceram às aulas no centro escolar da sede de concelho, tendo antes decorrido uma manifestação junto à escola encerrada.

 

“Esta manifestação serviu para discutirmos outras ações de luta e para demonstrarmos o nosso desagrado em relação a esta situação”, disse à Lusa o presidente da câmara, António Valério.

 

Nos próximos dias, explicou, a comparência ou não dos alunos nas aulas “vai depender de cada encarregado de educação”.

 

Quanto a Rio de Moinhos, no concelho de Aljustrel, cerca de uma centena de pessoas protestou hoje contra o fecho da escola do 1.º ciclo, por considerar a decisão uma "injustiça".

 

As 13 crianças da antiga escola de Rio de Moinhos faltaram às aulas na escola de destino, o Centro Escolar Vipasca, na sede de concelho, a cerca de quatro quilómetros de distância.

 

Para o SPZS, que assinala hoje o arranque do ano letivo com ações de sensibilização junto de várias escolas do Alentejo, estes encerramentos “só demonstram a insensibilidade do Governo e do MEC e a dureza das políticas que vão pondo em prática”.

 

“O SPZS está hoje a denunciar este início ímpar do ano letivo, no sentido de que pior é quase impossível. Dificilmente se conseguirá repor a normalidade nas escolas nos próximos tempos”, alertou Manuel Nobre.

 

No Alentejo, de acordo com o MEC, encerraram este ano letivo 35 escolas: 12 no distrito de Portalegre, outras 12 no de Évora, nove na região de Beja e duas em concelhos alentejanos do distrito de Setúbal.

 

Por Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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