Alunos da Feira ganham prémio com cosmética à base de mel

Projeto surgiu em parceria com a estrutura Ciência 2.0 da Universidade do Porto

Alunos do Colégio Terras de Santa Maria, na Feira, desenvolveram com a Universidade do Porto e outras entidades uma linha de cosméticos à base de mel que foi premiada pela Fundação Ilídio Pinho na modalidade "Ciência na Escola".

 

O projeto envolveu cerca de 30 alunos do 2.º e 3.º ciclos que, no seguimento de uma visita de estudo à Quinta Ecológica da Moira, em Aveiro, investigaram o poder do mel, da cera de abelha e da própolis, para aplicarem as suas propriedades numa gama de produtos que inclui hidratante corporal, cera depilatória, batom hidratante, aftershave e creme para pés gretados.

 

"As principais qualidades desta linha estão relacionadas com as propriedades hidratantes do mel, os seus aromas naturais e o poder cicatrizante da própolis", explicou hoje à Lusa Susana Cruz, a professora que coordenou o projeto.

 

"A própolis [resina arbórea recolhida pelas abelhas para reparar fendas na colmeia] tem ainda vantagens bactericidas e fungicidas, o que acentua a componente terapêutica destes compostos", acrescentou a docente.

 

A criação da linha de cosmética envolveu diferentes turmas do Colégio Terras de Santa Maria, tendo sido desenvolvida no âmbito de disciplinas letivas - como as de Ciências Naturais e Físico-Químicas - e também em contexto de laboratório - nos Clubes de Ciência que constituem atividades de enriquecimento curricular.

 

A gama de produtos foi concluída em pouco mais de um mês, após uma "aprofundada pesquisa de ingredientes" que permitiu demonstrar os méritos do mel: é constituído em cerca de 75% por açucares naturais como a frutose e a glicose, que são fonte de energia; integra 17% de águas. Inclui as vitaminas B1, B2 B6, C, D e E, que são responsáveis pela transformação dos nutrientes em energia, e engloba sais minerais indispensáveis à saúde, entre os quais cálcio, cobre, ferro, magnésio, fósforo e potássio.

 

"Além disso, o mel é composto por cerca de metade dos aminoácidos existentes, por enzimas como a glucose e a oxidase, por ácidos orgânicos como o acético e o cítrico, e contém ainda um teor considerável de antioxidantes como flavonóides e fenólicos", realça a Fundação Ilídio Pinho na sua descrição do projeto. "Já foram identificadas mais de 180 substâncias diferentes no mel natural, sendo que algumas delas não existem em nenhum outro alimento", continua o documento.

 

À pesquisa sobre os ingredientes individuais seguiu-se então a fase de testes, que, segundo Susana Cruz, implicou sucessivas alterações às fórmulas iniciais, "até se acertar nas quantidades que permitiram obter a consistência, a textura e o aroma desejado" para cada produto da linha.

 

A parceria com a estrutura Ciência 2.0 da Universidade do Porto facilitou depois a divulgação do projeto, mediante a criação de uma aplicação interativa sobre o mel e a própolis, e em seguida a escola avançou para a candidatura à Fundação Ilídio Pinho, que a distinguiu com um prémio de 15.000 euros.

 

Os produtos desenvolvidos na escola vão agora ser licenciados junto do Infarmed e há já a possibilidade virem a ser comercializados por uma empresa de produtos e serviços apícolas que se associou ao projeto.

 

Por Lusa

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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