Posso usar saltos altos durante a gravidez?

Mulheres grávidas que usam saltos altos tornam-se mais propensas a lombalgias. Leia os conselhos do médico ortopedista Eduardo Pegado.

Sempre que se calçam sapatos com salto alto, estamos a imprimir à nossa bacia uma inclinação anterior da qual resulta, por compensação, aumento da curvatura da coluna lombar para reequilibrar a coluna. Consequentemente resulta num aumento de pressão nas facetas articulares e distração do disco intervertebral localizado anteriormente. Esta situação envolve, também, alterações nas ancas (aumentando a sua carga em extensão) e nos joelhos (maior flexão na marcha).

A sua manutenção por algum tempo ou frequência acaba por originar o aparecimento de dor, inicialmente de origem muscular e mais tarde devida a desgaste das estruturas acima referidas (facetas articulares e disco intervertebral). Este processo não se desenvolve da mesma forma para qualquer tipo de “salto alto”, estando relacionado com a dimensão do salto e o seu tempo de utilização.

Na mulher grávida o centro de gravidade vai-se deslocando posteriormente para contrabalançar o peso da barriga. Resulta um processo de sobrecarga das facetas articulares semelhante à compensação necessária à inclinação anterior da bacia referida no parágrafo anterior. Se nesta situação ainda lhe introduzirmos o fator “salto alto” corremos o risco de esgotar a capacidade de compensação para uma posição ortostática correta.

Mais facilmente as lombalgias se instalam com a agravante de nem sempre a mulher grávida poder tomar qualquer tipo de medicação antálgica logo mais limitada no controle da dor, frequentemente só o conseguindo através de repouso no leito com compromisso da sua funcionalidade.

Sem pretender participar em nenhuma cruzada contra a utilização de sapatos com determinadas características, achamos conveniente alertar para as alterações biomecânicas inerentes a ambas as situações, evidenciando o aspeto cumulativo que podem ter se não houver bom senso na utilização do chamado “sapato de salto alto”.

Os conselhos são do médico Eduardo Pegado, especialista em Ortopedia

artigo do parceiro: Nuno Noronha

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