Mulheres que querem (mesmo) muito ser mães

Crise económica está a afetar recurso a técnicas de procriação medicamente assistida

Maria de Fátima Pires tem 38 anos. Há cinco que anda a tentar engravidar.

 

Há cerca de dois, resolveu recorrer a um processo de procriação medicamente assistida. Ainda não foi bem sucedida.

«A questão nem é a falha de outros métodos [mais tradicionais]. É mesmo o corpo humano que resolveu não colaborar», desabafa com algum desgaste e muita tristeza. «Fui adiando a gravidez por opção mas nunca pensei que pudesse ter dificuldades em engravidar quando um dia tentasse», confessa.

Tal como Maria de Fátima Pires, existem muitas mulheres que querem (mesmo) muito ser mães. Muitas delas, apesar da austeridade económica e dos custos dos tratamentos, não desistem de recorrer a processos de procriação medicamente assistida, como prova um estudo recente do IVI Lisboa, a delegação da capital da que foi a primeira instituição espanhola especializada exclusivamente na reprodução humana.

Segundo esta investigação, o recurso a estas técnicas não diminuiu com a crise nalgumas das faixas etárias. Entre os casais com mulheres com idade igual ou superior a 38 anos, como é o caso de Maria de Fátima Pires, a procura registou mesmo um aumento que oscila entre os 27% e os 41%. Esta é, pelo menos, uma das principais conclusões do estudo «Quem recorre à procriação medicamente assistida em tempos de crise?», apresentado em Lisboa.

«À diminuição no número de tratamentos de procriação medicamente assistida realizados em Portugal, soma-se uma maior proporção de pacientes em idade reprodutiva avançada e pior prognóstico, ambos fatores que levam a uma redução no número de crianças nascidas como resultados destes tratamentos», refere o comunicado de divulgação do estudo.

 

«Os resultados demonstram que, desde 2010, tem havido um aumento significativo na percentagem de pacientes na faixa dos 38 anos ou mais. Concretamente, em 2010, estas mulheres representavam 27% do total de pacientes que realizaram tratamentos de procriação medicamente assistida», revela o documento.

 

«Um ano mais tarde, eram 33% e, no ano passado, chegaram a 36%. No corrente ano [2013], a percentagem de mulheres nesta faixa etária corresponde a 41% das que realizaram tratamentos de fecundação in vitro», aponta ainda o estudo da IVI, empresa que actualmente conta com uma rede de 24 clínicas em sete países, incluindo Portugal.

 

«Para além do que se tem afirmado que estão a ser realizados menos tratamentos de procriação medicamente assistida em Portugal, observa-se uma clara e forte tendência, no contexto de alguns centros privados, ao aumento da idade das mulheres que se submetem a tratamentos de fecundação in vitro», realça Sérgio Soares, diretor do IVI Lisboa, que aponta também uma justificação para o facto.

«O aumento da proporção de tratamentos nessa faixa etária reflete que a situação económica atual e a instabilidade laboral podem ter um impacto mais forte nos casais com menos idade, determinando, nestes, um adiamento do projeto reprodutivo», afirma ainda o responsável. «À medida que aumenta a idade da mulher, diminui a quantidade e a qualidade dos óvulos», sublinha.

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