Como impedir a transmissão de doenças genéticas

A principal indicação do Diagnóstico Genético Pré-Implantação são os casos em que existe um risco significativo e bem documentado de transmissão à descendência de uma doença genética grave

O diagnóstico genético pré-implantação (DGPI) consiste no estudo de alterações cromossómicas e genéticas no embrião antes da transferência para o útero.

 

Tem por objetivo impedir a transmissão doenças genéticas, podendo igualmente servir como forma de rastreio da presença deste tipo de alterações. Em certas situações mais raras o DGPI pode também ser usado como forma de identificação e seleção de embriões HLA-compatíveis para efeitos de tratamento de algumas doenças graves.

 

A principal indicação do DGPI são os casos em que existe um risco significativo e bem documentado de transmissão à descendência de uma doença genética grave. Nestes casos o casal, mesmo que não seja infértil, faz um tratamento de ICSI (microinjeção intracitoplasmática de espermatozóide), em que os embriões obtidos são analisados geneticamente, identificando-se os portadores da doença e transferindo-se para o útero apenas os que não a tiverem.

 

Nos últimos tempos tem-se também generalizado a realização do chamado “Rastreio de Aneuploidias Pré-Implantação”, que não é mais que a aplicação de um conjunto de técnicas que permitem identificar os embriões com maior capacidade de originarem uma gravidez, pois através deste método é possível identificar o número de cromossomas em cada embrião, transferindo para o útero apenas os embriões normais.

 

De facto, uma das principais causas da baixa taxa de gravidez “natural” na espécie humana (25% por ciclo menstrual em casais saudáveis e com menos de 30 anos) é a alteração no número de cromossomas dos embriões (aneuploidia), que no caso de alguns casais inférteis surge com maior frequência, nomeadamente nos casos de casais com idade materna avançada, falhas repetidas de implantação, abortos de repetição ou fator masculino grave. Na espécie humana o número correto de cromossomas é 46, sendo 23 herdados por via paterna e 23 por via materna.

 

Até hoje, a técnica mais usada para DGPI de alterações cromossómicas numéricas era a hibridação in situ fluorescente (FISH), que permite a análise de determinado número de cromossomas. Nesta técnica usam-se pequenos fragmentos de DNA (sondas) com marcação fluorescente, que brilham ao serem aplicados no núcleo de uma célula retirada por biópsia a partir de um embrião, permitindo assim a contagem dos cromossomas e a identificação dos que têm alterações. Normalmente são 9 os cromossomas que se analisam simultaneamente: X, Y, 13, 15, 16, 17, 18, 21 e 22, pois são os que estão mais frequentemente associados a alterações relacionadas com abortos espontâneos.

 

Nos últimos anos desenvolveu-se uma técnica capaz de analisar todos os cromossomas de uma célula de um embrião, os microarrays de DNA, mais concretamente as técnicas de hibridização genómica comparativa designadas por array-CGH. Estas técnicas permitem detetar, com muito maior resolução, qualquer alteração na quantidade de todos os cromossomas de cada célula analisada, constituindo assim um desenvolvimento relativamente aos métodos de FISH.

 

Os estudos científicos mais recentes têm demonstrado que o Rastreio de Aneuploidias Pré-Implantação com arrays-CGH permite melhorar significativamente a taxa de gravidez em determinados grupos de mulheres.

 

 

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