Transições de ciclos e seus desafios

A transição para o 5º ano representa sempre uma fase de angústia e preocupação nas famílias.

Muitas crianças mudam também de escola, de ambiente social. Mudam também elas mesmas, entrando numa fase diferente de desenvolvimento que prepara a adolescência. E no meio de tanta mudança, a transição para o 5º ano pode ser um momento de fragilidade na vida de alguns que consigo trazem já a susceptibilidade de um desenvolvimento em desequilíbrio. Esta fase é sempre um momento de crise. Entendamos a crise como um salto no sentido do desenvolvimento e da aprendizagem. Ora, sendo uma crise e uma mudança natural e desejável importa que seja vivida como tal.

 

O 5º ano inicia um ciclo escolar diferente. Um ciclo feito de diferentes disciplinas, muitos professores, formas diversas de ensinar e gerir a sala de aula, agenda de testes e trabalhos para entregar, estudo mais autónomo e complexo. É nesta altura que se inicia a entrada na pré-adolescência e um desenvolvimento acelerado em muitos domínios com especial enfase no domínio social. O horizonte de relações torna-se mais amplo, a importância das mesmas relativiza-se e as amizades surgem como fundamentais na vida diária. A capacidade de integrar informação é cada vez maior e de natureza mais diversa.

 

Mas, nas nossas cabeças de pais, eles ainda são um “bocadinho pequenos”, um “bocadinho imaturos” para tanta mudança, tanto professor, tanto livro diferente, tanto TPC e datas de testes, tanta informação de como utilizar o cartão da escola, como fazer para ir almoçar, ou comprar folhas de teste…
Nas nossas cabeças de pais ainda são” muito pequenos”… E confesso que é bom que assim seja. Dessa forma podemos ser um suporte. Ser suporte não é de todo estar lá sempre. Esta é uma fase fundamental para adquirir autonomia com responsabilidade e os nossos filhos têm já largas competências para tal. Claro que não podemos querer que tudo saia bem logo nos primeiros tempos. Que não troquem os livros, que saibam de cor o horário, que não se esqueçam dos TPC e das datas dos testes. Mas podemos encontrar formas de os suportar nas suas dificuldades lançando ideias e estratégias de como solucionar. Nada como aceitar que queiram ser mais crescidos e ao mesmo tempo façam asneira. Importante é que entendam que não agiram de forma correcta e que têm recursos para o fazer. Importante é aceitarmos que nenhuma mudança se faz de repente e sem custo e que aqui o “custo” é estarmos disponíveis para os ouvir e para os ajudar a pensar. É uma fase em que começam a aceitar menos bem as nossas sugestões e regras. Mas as regras e aquilo que para eles desejamos é fundamental para que cresçam saudáveis e não podemos prescindir de ter esse papel.

 

Quer dizer que, nesta altura, e perante tamanhas mudanças, temos de encontrar o espaço para, com serenidade, discutir com eles condições, negociar o dia a dia e ajudar a encontrar soluções para aqueles momentos em que nada vai estar bem na vida deles e em que nada do que dissermos ajuda, porque não percebemos nada. Como noutras fases, ainda que de forma diferente, precisam que os pais façam o seu papel.

 

Ana Rodrigues
Educação Especial e Reabilitação
ana.rodrigues@pin.com.pt

 

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