Os livros são nossos amigos

Os hábitos de leitura, tão importantes para o desenvolvimento, criam-se e alimentam-se mesmo antes de a criança aprender a ler.

É possível ensinar a criança a gostar de livros desde que nasce. Ou quase. Primeiro, ela encanta-se com o objeto em si: as formas, as cores, os volumes, tudo a atrai.

 

Mais tarde, são as narrações que lhe são contadas que lhe despertam a imaginação e a criatividade. Quem nunca ouviu uma criança a pedir que lhe contem uma história, principalmente quando são horas de ir para a cama?

 

 

Janela para a vida

 

Na fase pré-escolar, mesmo antes de iniciar a aprendizagem da leitura e da escrita de um modo mais forma, o universo dos livros é um dos maiores transmissores de conhecimento e de desenvolvimento das capacidades emocionais e de expressão de ideias.

 

Os livros não contam apenas histórias. Eles apresentam outras realidades, mostram valores, explicam a diversidade do mundo e revelam que a criança não está sozinha perante o grande desafio que é crescer. Se tudo isto for conseguido ao mesmo tempo que ela se diverte, tanto melhor!

 

 

Uma longa história Os primeiros livros infantis surgiram no século XVIII e eram dirigidos às classes mais abastadas. Com o decorrer do tempo – e tal como aconteceu em inúmeros outros aspeto – a literatura para crianças democratizou-se e pode chegar hoje a toda a gente.

 

De histórias que apenas colocavam o enfoque nos valores morais, os livros infantis evoluíram para temas que interessam aos seus pequenos leitores. Vale a pena citar a pedagoga brasileira (e também ela autora de obras infantis) Fanny Abramovich: “É através de uma história que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica…” e “as histórias abordam temas existenciais típicos da infância, como medos, sentimentos de inveja e carinho, curiosidade, dor, perda, orgulha, para além de ensinarem infinitos assuntos”.

 

 

Livros vivos

 

Os livros são preciosos, mas não devem ser intocáveis. Por isso, é essencial que a criança os possa explorar: para tal, os melhores são os mais resistentes, feitos de plástico ou borracha e que resistem melhor a mordeduras e dedos que amassam ou tentam rasgar.

 

Mais tarde, surge a tentação de os riscar, sublinhar, desenhar nas páginas… Existem vários títulos e coleções que permitem fazer isso mesmo, sem que o pequeno leitor oiça ralhos dos adultos. Viver intensamente os livros é um dos mecanismos mais eficazes para despertar o hábito da leitura.

 

A pouco e pouco, a criança vai perceber que existem livros para explorar fisicamente e livros destinados a serem desfrutados somente através da leitura. Nesse ponto, muito provavelmente, as obras deixam de ser amassadas ou riscadas para serem cuidadosamente manuseadas e até colocadas nas prateleiras.

 

 

Exemplos adultos

 

Quanto mais cedo a criança tiver contato com livros e perceber o prazer que a leitura traz, maior será a probabilidade de futuramente se tornar ela própria uma leitora regular. Com todas as vantagens trazidas por esse hábito.

 

No entanto, e mais uma vez, são os exemplos que observa que vão determinar se os livros serão amados ou não. Não é de esperar que os mais novos gostem de manusear obras literárias e de pedir para que lhes contem histórias se, na família, não houver esse hábito.

 

Em contrapartida, se os livros forem apresentados cedo, se os pais forem vistos regularmente a ler, e se contar histórias for um prazer e não uma obrigação, o mais provável é que a leitura se torne um “vício” imprescindível.

 

 

Maria Cristina Rodrigues

artigo do parceiro: Maria Cristina Rodrigues

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