Os castigos

Longe vão os tempos em que eram sinónimos de punição física. Com conta peso e medida, podem ser muito úteis.

Colocar uma criança de castigo começa por ser difícil para os adultos. Por muito mal que ela se esteja a portar, reconhecer que esta é a única opção que resta aos adultos é o mesmo que reconhecer que tudo o mais falhou.

 

Mas existem situações em que fazer ver aos mais novos que as suas atitudes indesejáveis têm consequências também indesejáveis pode revelar-se positivo. Não só porque ajuda a evitar que essas atitudes se repitam, como lhes transmite lições de vida.

 

 

Castigar, não magoar

 

Colocar uma criança de castigo não pode, nunca, em hipótese alguma, magoá-la fisicamente. Felizmente que a evolução das sociedades não só ultrapassou este tipo de “educação” como até desenvolveu mecanismos para sancionar os adultos que persistem em fazê-lo.

 

Para além disso, punir fisicamente apenas diminui e humilha quem é atingido. Não ensina, não previne e é meio caminho andado para sentimentos de revolta.

 

Nos dias de hoje, a palavra “castigo” tem de significar outra coisa. Nomeadamente, fazer ver à criança que não agiu bem, que foi alertada em tempo útil para o que poderia acontecer e que, não tendo modificado as suas atitudes, é confrontada com as respetivas consequências. Tudo isto se consegue sem quaisquer atitudes físicas.

 

 

Sinais de aviso

 

No processo que poderá levar ao castigo, a primeira etapa é avisar a criança. Embora não seja comum, ela própria pode nem sequer se aperceber de que não está a proceder da forma mais correta. E ser sancionada sem sequer saber porquê não é produtivo e vai deixá-la confusa.

 

Por exemplo, se uma criança de dois anos insiste em morder os colegas da escola, não será por via do castigo que este comportamento irá mudar. É positivo contrariá-la nesta atitude, mas não sancioná-la.

 

Mas se as mordidelas ou outras agressões continuam até aos cinco ou seis anos, e se todos os avisos e conversas parecem cair em saco roto, aí o castigo já faz sentido, porque a criança sabe que não está a agir da melhor forma.

 

Em segundo lugar, é importante reservar os castigos para situações que realmente o justifiquem. Se, por tudo e por nada, uma criança é castigada (mesmo que seja apenas “levemente”), perde-se o caráter execional e, com ele, grande parte do poder educativo da sanção.

 

Depois do primeiro aviso, e se o comportamento continuar, a segunda etapa deverá ser explicar qual o castigo que será aplicado. Esta explicação terá de ser adaptada à idade e à maturidade da criança e os adultos deverão certificar-se de que ela a compreendeu.

 

Como à terceira é de vez, se nada se altera, é tempo de castigo. Antes de começar, vale a pena repetir por que razão a criança vai ser sancionada e o que poderia ter feito para o evitar. E, em seguida – e por muito que custe aos adultos – não vacilar e fazê-la cumprir o castigo até ao fim.

 

 

Sanções eficazes

 

Um método que pode dar resultados positivos é privar a criança de algo que lhe dê prazer ou de que ela goste muito. Por exemplo, privá-la de assistir aos desenhos animados na televisão ou de ir à festa de aniversário de um amigo.

 

Para as mais velhas, colocá-las em “modo de reflexão” também pode ser eficaz. Ou seja, perante uma tropelia merecedora de castigo, vão um determinado tempo para o quarto, pensar naquilo que aconteceu e por que motivo foram sancionadas.

 

É claro que o castigo não será muito pesado se, no quarto, ela tiver os brinquedos, a televisão, o computador e todo o restante arsenal de diversão. Nestes casos, talvez seja mais produtivo colocá-la num local sem estes estímulos, tal como o quarto dos pais.

 

 

Tarefas não são castigos

 

Uma família é uma equipa, onde todos têm de se ajudar e apoiar mutuamente. Assim, usar as tarefas domésticas, ou outros compromissos, como forma de punição pode transmitir mensagens indesejáveis.

 

Lavar a loiça, regar as plantas, limpar o pó o manter o quarto arrumado terão de ser entendidas de forma natural e não como sanções. De outra forma, as crianças vão entendê-las como sacrifícios a evitar a todo o custo e não como parte das responsabilidades de fazerem parte de uma família e contribuírem para que todos se sintam o melhor possível.

 

 

Maria Cristina Rodrigues

artigo do parceiro: Maria Cristina Rodrigues

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