O chichi na cama não tem que ser um pesadelo

A enurese é um problema que ultrapassa a criança. Se o seu filho ainda molha a cama, não ralhe, não castigue, não penalize. Ele não tem culpa. Um artigo da médica Marta Janeiro, especialista em cirurgia pediátrica.

Só em Portugal estima-se que mais de 80 mil crianças sofram de enurese noturna. Numa turma do primeiro ciclo, por exemplo, cerca de 5 crianças têm o problema.

No caso de já ter havido historial de enurese na família, a probabilidade da criança vir a ser enurética é maior.

Estas crianças podem apresentar sinais de baixa autoestima, ansiedade, tristeza e depressão. Devido às noites mal dormidas, têm dificuldades de concentração na sala de aula, o que afeta o seu desempenho escolar. A longo prazo pode causar disfunções psicológicas e psiquiátricas.

Mas também mexe (e muito) com o ambiente familiar.

Não é só a criança, que sofre por causa do problema. As noites mal dormidas, a muda constante de lençóis e a preocupação com o bem-estar da criança geram grande stress na família. E nem sempre esta consegue lidar com a situação de forma paciente. É por esta razão que deve falar com o seu pediatra.

Porque não deve culpar a criança?

A enurese está associada a causas fisiológicas, ou psicológicas.

Nas primeiras poderá haver aumento da produção de urina por défice hormonal, isto é, uma deficiente produção noturna de uma hormona chamada vasopressina, que regula a produção de chichi. A bexiga pode ser demasiado pequena para a quantidade de urina produzida, ou a criança pode mesmo ser incapaz de acordar perante o estímulo de bexiga cheia.As segundas podem causar a chamada enurese noturna secundária e podem surgir por situações que causam desconforto, ou stress na criança, como o nascimento de um irmão, uma morte na família, o divórcio dos pais, entre outros.

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