Não gosto de sopa!

A recusa de alguns alimentos é uma fase habitual no processo de diversificação alimentar.

A sopa, os legumes e o peixe são clássicos e podem causar exasperação, nervos e até lágrimas quando surgem ao almoço ou ao jantar. Mas nem todas as crianças têm a mesma opinião e não se surpreenda se o seu filho afirmar que não gosta de sabores aparentemente consensuais, como chocolate ou batatas fritas.

 

Antes de insistir até à exaustão – sua e dela – para que coma procure perceber o que leva a criança a não querer determinado alimento. Existem patologias e intolerâncias alimentares cujos primeiros sinais são recusa de ingestão, já que vai causar mal-estar.

 

A criança pode até não conseguir explicar por que motivo insiste em não comer, mas o seu metabolismo está a dizer-lhe que é melhor não o fazer. Se esta situação é acompanhada por outros sintomas gástricos, de perda ou ganho de peso rápido ou mudanças na vitalidade, procure conselho do médico.

 

Este vai observar o seu filho e ouvir atentamente os episódios de recusa alimentar. E se se justificar, indicará a realização de exames de diagnóstico para despiste de qualquer eventual patologia.

 

Mas na esmagadora maioria dos casos está tudo bem e o que é necessário é uma boa dose de persistência e paciência dos pais.

 

 

Questão de hábito

 

Estudos científicos provaram há muito que a diversificação do gosto alimentar não é imediata e o mais natural é a criança recusar os sabores novos nas primeiras tentativas. A aceitação total acontece por volta da 12.ª ou 15.ª vez.

 

Por isso, vale a pena insistir e não desistir à primeira, ou primeira, contrariedades ou cara feia. Manter a calma, oferecer porções pequenas e aguardar para que as papilas gustativas apreendam todas as nuances do sabor também são táticas que vale a pena experimentar.

 

Poder do exemplo

 

As crianças aprendem através do exemplo e não espere que adorem um determinado prato se os adultos lá de casa lhe torcerem sistematicamente o nariz.

 

Se os vegetais ou o peixe cozido são apresentados como uma obrigação, uma espécie de medicamento ou mesmo um sacrifício, os mais pequenos nunca os desfrutarão por aquilo que realmente são: parte importante de uma dieta saudável.

 

Pior ainda, no caso das crianças mais velhas, são as situações em que há, de forma sistemática, opções diferentes para elas e para os adultos. Em casos pontuais, é natural que tal aconteça – se o prato for muito condimentado, por exemplo. Mas se elas se sentirem discriminadas, a reação mais natural é rebelarem-se e deixarem o almoço ou o jantar por terminar. Ou mesmo por começar.

 

 

Recompensas indesejadas

 

O melhor mesmo é planear as refeições em família e deixar que quem gostar mais coma mais e quem gostar menos coma menos. E se a criança não quiser comer mesmo nada, procure não forçar, mesmo que lhe custe bastante.

 

Mas também não lhe apresente a sobremesa como uma recompensa, apenas para ver se ela come a sopa e o segundo prato. Com isto, a mensagem que passa é que existem alimentos maus e alimentos bons. Em contrapartida, é positivo defender a refeição completa, desde o início até ao fim.

 

Mas há situações em que a criança está irredutível e recusa tudo. Não recompense este tipo de comportamento. Ou seja, não lhe ofereça alimentos que sabe que ela gosta (como papa, bolachas ou iogurte) meia hora depois de uma refeição escassa, só porque teme que a criança tenha ficado mal alimentada.

 

Esta atitude vai ter dois efeitos nocivos. O primeiro é que o seu filho perceberá rapidamente que pode recusar os alimentos que quiser, já que comerá o que deseja um pouco mais tarde.

 

O segundo é dar-lhe o poder de decisão num ponto importante e numa idade em que a maturidade ainda não compreende que há alimentos que não são tão agradáveis, mas que todos são essenciais.

 

E, aqui para nós, quantas crianças conhece que tenham ficado doentes porque fizeram birra e não almoçaram ou jantaram? Certamente que na refeição seguinte recuperaram o tempo perdido. Mesmo que o prato não tenha sido muito do seu agrado…

 

 

Maria Cristina Rodrigues

artigo do parceiro: Maria Cristina Rodrigues

Comentários