Formas eficientes de castigar crianças e jovens

Retirar privilégios de forma eficaz é das tarefas mais difíceis, mas há que fazer com que os filhos percebam que todas as ações implicam consequências.

Não há qualquer dúvida de que os filhos assumem que muito do que têm, o têm por direito próprio. Para muitos deles, a função dos pais inclui (para outros, resume-se) proporcionar-lhes a melhor vida possível, rodeados de tudo aquilo que consideram imprescindível e seu por direito.

 

Retirar privilégios consiste em privar a criança ou o jovem, temporariamente, de alguma coisa de que gosta, como consequência de algo que fez mal. Pode ser utilizado vezes sem fim e, em muitos casos (principalmente acima dos 5 anos), é «a medida mais eficaz para que aprendam que na vida nem tudo é garantido e que algumas coisas são um privilégio que pode ser retirado», afirma o pediatra Paulo Oom, se eles não corresponderem às expetativas dos pais.

 

Ao retirarem um privilégio, «os pais têm de explicar bem o porquê e por quanto tempo», diz Paulo Oom. Não podem estabelecer regras arbitrárias ou períodos exagerados que levam a criança a considerar (ainda mais) injusta a regra que os pais estabeleceram. «Os pais podem ser criativos», sugere o pediatra.

 

No seu livro Não te volto a dizer!, Paulo Oom dá alguns exemplos de como retirar privilégios:

 

A Ana, de 12 anos, é viciada no telemóvel. Passa os dias a enviar mensagens e a ligar às suas amigas e amigos. Apesar de o pai já ter escolhido um tarifário muito aceitável (como é que ela consegue enviar mil mensagens por dia?) a conta do telefone não para de aumentar todos os meses. Por esta razão, o pai decide estabelecer um limite mensal:

- A partir de agora este é o valor máximo que estou disposto a pagar todos os meses. Se num mês for ultrapassado deves ser tu a pagar o que estiver em excesso.

- Mas pai, isso é injusto!

- Parece-me muito justo este limite, que já dá para usares o telemóvel com frequência. Mas se for ultrapassado deves ser tu a pagar o que estiver a mais, com a tua mesada.

- Mas pai, a minha mesada não chega para isso!

- E o meu ordenado também não. Se fores responsável por parte do pagamento, tenho a certeza que vais usar o telemóvel com mais cuidado.

 

Desta forma, os filhos percebem que o telemóvel é um privilégio que pode ser usado, mas com limites. E se estes forem ultrapassados, terão de sofrer as consequências. Se os pais quiserem, podem até colocar duas soluções – ficar uma semana sem telemóvel ou pagar o excesso com a mesada – dando aos filhos a hipótese de escolha, num exemplo claro de escolhas limitadas.

 

«Os pais podem utilizar este método para um grande número de situações, incluindo as que envolvem brinquedos, televisão, computador, internet ou situações agradáveis como estar com os amigos, por exemplo», lembra o especialista.

 

No entanto, os pais não podem prometer o que não vão cumprir. Frases como «nunca mais vês televisão» ou «não podes ir ao computador durante três meses» só servem para desacreditar os pais em frente dos filhos, pois estes sabem perfeitamente que os pais não vão conseguir cumprir a ameaça. Por outro lado, os pais, ressalva o especialista, «não devem considerar como privilégio, e ameaçar retirar, algo fundamental como o bem-estar dos filhos, como a alimentação ou horas de sono». Por fim, é muito importante que os outros membros da família não sejam prejudicados.

 

REGRAS DE OURO

• Retirar privilégios é uma forma eficaz de disciplinar crianças com mais de 5 anos.

• No momento de retirar um privilégio, os pais devem ser razoáveis, explicar bem o porquê da decisão e por quanto tempo irá durar a consequência.

• Nunca retirar aspetos que sejam fundamentais para o bem-estar da criança, como a alimentação ou as horas de sono.

• Procurar, dentro do possível, não afetar os outros membros da família com a decisão.

 

 

Maria João Pratt

 

Fonte: Não te volto a dizer!, de Paulo Oom.

 

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