É bom ou mau as crianças terem amigos imaginários?

Dois terços das crianças entre três e oito anos (con)vivem com eles. Especialistas garantem que fenómeno é natural e universal e que contribui para o desenvolvimento da personalidade infantil.

Se o seu filho tem um amigo imaginário, não se preocupe. Está longe de ser o único a partilhar aventuras com alguém que não existe! Um estudo da University of Otago, na Nova Zelândia, demonstra que as crianças com amigos imaginários têm mais capacidades linguísticas do que as restantes. O facto de criarem um amigo e uma história em seu redor desenvolve o vocabulário e a capacidade de reter a realidade e a ficção. Outras investigações apontam ainda outras vantagens.

Por isso, em vez de entrar em pânico de cada vez que ele lhe surgir com um novo relato, procure ouvi-lo para tentar saber mais acerca das suas aventuras imaginárias. «Em primeiro lugar, os pais devem compreender que este amigo vai ser a projeção dos problemas e dos desejos das crianças, uma forma de lhes chamar a atenção, pelo que devem estar atentos», refere Antoine Alaméda, especialista em questões infantis.

Este diretor de um centro médico-social em França defende que os progenitores só se devem preocupar mais a sério se, a na fase dos seis a oito anos, as crianças continuarem a insistir no tema. «Nesse caso, deve contactar um especialista», recomenda. Um estudo britânico da British Psychological Society (BPS), publicado em 2013 e citado pelo site Science Daily, revelou que 88% dos encarregados de educação não encara a existência de amigos imaginários como problemática.

No livro que publicou em França, intitulado «Petits silences, petits mensonges» [«Pequenos silêncios, pequenas mentiras» em tradução literal], Dana Castro,  psicóloga clínica e psicoterapeuta, assegura que a situação é muito comum. «Dois terços das crianças entre três e oito anos têm um amigo imaginário. É um fenómeno natural e universal que ajuda à estruturação da criança e que contribui para o seu bem-estar», afiança a especialista.

Texto: Luis Batista Gonçalves

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