Comunicação não-verbal

Já pensou que a nossa comunicação não depende só das palavras?

No caso de as mensagens verbal e não-verbal serem contraditórias, ex.: alguém diz “Estou feliz!” mas com uma entoação e expressão facial de tristeza, em qual das mensagens vai confiar? Sabia que a componente não-verbal tem maior peso na primeira impressão que temos de alguém do que a mensagem verbal que é transmitida?

 

Queremos que cada um reflita tanto no que lhe é dito, como na maneira como lhe é dito, uma vez que as palavras por si só, muitas vezes, não nos dão as pistas necessárias para mediar a troca comunicativa. Ao dar maior ênfase aos contributos não-verbais de uma mensagem está a aumentar a sua capacidade de compreender o outro e a interação estabelecida. Assim, terá maior sucesso na sua comunicação!

 

A comunicação não-verbal transmite-se por meios não linguísticos, tais como:

 

- Expressões faciais e corporais, gestos, contato ocular, postura, o andar
- Intensidade e frequência vocais, entoação, velocidade de fala, pausas e silêncios
- Utilização do espaço e da distância
- Aparência e estilo
- Toque (aperto de mão, abraço…)
- Utilização do tempo para comunicar

 

Estas pistas devem ser, necessariamente, decifradas tendo em conta vários fatores. Depois de as conseguirmos decifrar, percebemos as intenções de quem fala connosco e compreendemos se este gosta de nós, se está atento ao que lhe dizemos, se nos vai interromper, se quer continuar ou terminar aquele momento de comunicação.

 

Se virmos uma pessoa a chorar sem estarmos atentos a todo o seu contexto, será difícil perceber se chora de tristeza ou de alegria apenas pelas lágrimas que lhe caem pela cara.

 

A comunicação não-verbal deve ser interpretada segundo o contexto cultural onde se insere, uma vez que dele depende. A interpretação da comunicação não-verbal é condicionada, para além da cultura, também pela idade, género, contexto e modo de comunicação.

 

Já imaginou comunicar sem ver a outra pessoa, sem ouvir uma voz, sem sentir a presença de alguém? É o que acontece atualmente quando comunicamos por email, por mensagem escrita ou via on-line. A comunicação tecnológica também evolui nas suas formas não-verbais, tais como a transmissão criativa de emoções e sentimentos através dos “smiley faces”.


As funções da comunicação não-verbal, em relação à verbal, são essencialmente as seguintes:


- Contradizer a mensagem verbal: digo que tive um acidente de carro com um tom de voz alegre e um sorriso na cara;
- Enfatizar o que é dito: falo mais alto e abano o indicador quando me zango;
- Regular a comunicação verbal: cruzo os braços e faço uma pausa depois de dizer “E é esta a minha opinião!”, dando a entender que quero mudar de assunto;
- Substituir: estou ao telefone e não posso falar. Ainda assim, perguntam-me se gosto do meu novo professor de inglês e respondo revirando os olhos e fazendo um ar enfadado;
- Complementar: dizem-me que pareço desmotivada e a minha comunicação não-verbal também transmite a mesma mensagem.

A componente não-verbal desempenha um papel de extrema importância no comportamento humano e é fundamental reconhecer que a comunicação inclui mais do que uma mensagem verbal.

Ana Paris Leal
Terapeuta da Fala
ana.paris@pin.com.pt

 

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