Alimentação vegetariana para crianças

As recomendações de uma mãe que optou por este regime para os filhos

Os alimentos de origem vegetal podem substituir por completo a carne e o peixe na alimentação das crianças.

Essa é a convicção de Gabriela Oliveira, jornalista e autora do livro «Alimentação Vegetariana para Bebés e Crianças» (Arte Plural Edições), mãe de três crianças vegetarianas.

Adepta do vegetarianismo, não hesitou em adotar o mesmo regime alimentar para os filhos. O seu desenvolvimento saudável levou-a a querer partilhar com outros pais conselhos, recomendações e receitas que tornam as crianças menos dependentes de produtos de origem animal.

O que é que a levou, como mãe, a apostar numa alimentação vegetariana para os seus filhos?

Foi o facto de ser vegetariana e de conhecer bem as vantagens de não comer carne. Sabia que, do ponto de vista nutricional, não lhes ia faltar nada e os meus filhos sempre tiveram um bom desenvolvimento, desde bebés. E foi a vontade de evitar a morte de mais animais e de poupar o planeta.

É que, quer se queira, quer não, a terra não tem recursos suficientes para manter os padrões ocidentais de consumo de carne. Se a população mundial comesse o que os portugueses comem, não havia planeta que resistisse!

Afirma, de forma muito peremptória, no início do livro que a alimentação das crianças não necessita de incluir carne ou peixe para ser completa e equilibrada. Essa afirmação tem base científica ou resulta apenas das suas constatações enquanto mãe de três crianças vegetarianas?

Tem base científica. Aliás, consultei várias fontes, principalmente publicações sobre nutrição e informei-me sobre a opinião de dois grandes pediatras portugueses (Mário Cordeiro e Paulo Oom) que são favoráveis. Posso até citar a Associação Dietética Americana e dos Dietistas do Canadá que publicaram, em 2005, uma tomada de posição sobre o tema, referindo que as dietas vegetarianas são adequadas para todas as etapas do ciclo da vida, mesmo durante a gravidez, lactação, infância e adolescência.

Aborda também o problema da pressão que sentiu, sobretudo durante a sua primeira gravidez e os primeiros meses após o nascimento do seu filho. Que pressões foram essas e como lidou com elas?

O primeiro filho é sempre alvo de muita atenção e quem está de fora tem tendência a olhar-nos como inexperiente. As pressões eram no sentido de alertar e de testar até que ponto eu sabia o que podia dar ao bebé. Porque, na altura, a pediatra e as enfermeiras que acompanharam os primeiros meses do meu filho não sabiam quase nada sobre o assunto. Às vezes diziam «Se é vegetal, pode dar tudo», o que também não é verdade, porque o sistema digestivo dos bebés é muito frágil. 

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